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Publicado em 24/06/2022

SORORIDADE NA PRÁTICA

 

Do latim sóror, que significa irmã no português. O termo é atribuído à escritora Kate Millett e usado na linguagem feminista como irmandade entre as mulheres. E na prática, como funciona?

Mulher - uma eterna construção.

Simone de Beauvoir dizia que "ninguém nasce mulher: torna-se mulher". E longe desse artigo ser mais um sobre as desigualdades entre o homem e a mulher, as interrogativas que persistem são, por que em pleno século XXI ainda se vê desunião, julgamento, falta de empatia e solidariedade entre as mulheres? Aliás, a desunião entre as mulheres é um dos pilares que sustenta o patriarcado - sistema social em que o poder maior pertence ao homem.

Os transportes coletivos são palco de um grande dilema feminino: a importunação sexual. Com superlotação, as mulheres são espremidas, literalmente e, incontáveis vezes, outras mulheres presenciam a cena e nada fazem. Culpam a roupa, a maquiagem, a postura da mulher ao invés de defendê-la do incômodo. Falta empatia, sobra julgamento.

Muito se fala da presença da mulher na política, mas afinal, mulher vota em mulher? Se votasse a representação feminina no poder seria maior.

Se você chegar num hospital e se deparar com um médico e uma médica, você pediria para se consultar com ela? Ou ainda acredita que os homens são melhores em algumas profissões? Uma mulher mecânica pode cuidar do seu carro?

É preciso sair da bolha e construir empatia uma pela a outra. Ser empática não implica em gostar da pessoa e sim, colocar-se no lugar dela.

A sua inveja não é o meu combustível.

Segue abaixo dicas práticas de sororidade feminina. Teoria existe muita, falta conscientização.

Apoie projetos criados por mulheres. Quantas ideias são lançadas por mulheres capacitadas e esforçadas, que por vezes engavetam seus sonhos pela falta de incentivo. Antes de comprar roupas em sites chineses, cote com a costureira do seu bairro. Atente-se aos eventos criados por mulheres - eles costumam surpreender.

Contrate mulheres. Se você tem a função de contratar colaboradores, dê mais chance às mulheres - elas são responsáveis, dedicadas, inteligentes e profissionais.

Prestigie mulheres em profissões ditas masculinas. Se você tem conhecidas que são engenheiras (de produção, mecânica, elétrica, civil) pergunte à elas o quanto já sofreram discriminação pelo sexo. Quantos pais disseram à filha que não precisava estudar, ou no máximo, pedagogia ou enfermagem. Uma mulher pode ter a profissão que ela quiser, e será competente, tenha certeza.

Se posicione contra a gordofobia. Comentários do tipo "ela é bonita de rosto, apenas" ou "ela não cabe aqui"  fomentam o estigma social da obesidade, e prejudicam a auto-estima de quem luta com a balança. Isso vale para todas as características consideradas fora do "padrão" estabelecido por uma sociedade doente.

Quando estiver no mesmo ambiente que uma mulher sem cabelos e bem pálida, que você perceba que ela está com problemas de saúde, seja, primeiramente humana - ninguém sabe o dia de amanhã. Em segundo, empática: dê seu lugar no ônibus ou no metrô. Dê seu sorriso, o verdadeiro - ela precisa muito nesse momento.

Pare de brigar com uma mulher por um homem. Tenha respeito por você. Relacionamento é construção, não competição.

Ensine para mulheres mais jovens os segredos que você aprendeu sobre a vida. Mesmo que no momento elas não valorizem, um dia lembrarão da lição. 

Sobre você, se construa diariamente. Invista no seu intelecto ao invés de venerar egos nas redes sociais. Estude, fale idiomas variados, viaje, divida suas experiências com outras mulheres. Faça-se respeitada. Respeite as outras.



Redação: Silvia Delforno





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