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Publicado em 28/04/2020



"O POÇO"

- ESTAMOS TODOS NESSE BURACO

O impressionante filme da Netflix “O poço” chega num momento oportuno para repensarmos nossas ações e nossos pensamentos.

Atenção: Contém Spoilers

O poço – Netflix – 2019 – 1h e 34m – 1h e 34m – filme espanhol, dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia.

Tudo começa quando o personagem central, querendo ler um livro e se isolar do mundo, se candidata a passar um período no Poço, uma cadeia vertical, dividida em andares, que reúnem assassinos, mais outras pessoas e voluntários. Com mais de trezentos andares, a comida é servida uma vez ao dia, em formato de um banquete numa plataforma que vai descendo e parando por minutos em cada andar.

Uma vez por mês, os “presos” são transferidos aleatoriamente: um mês “em cima”, outro mês “embaixo”, até o final da pena. Uma alusão à nossa existência: uns dias tudo bem, outros nem tanto, até o final da nossa vida.

Quando a pessoa é admitida no poço, ela relata seu prato preferido, então no banquete há comida para todos e para todos os gostos – preparados por uma cozinha de excelência. Assim como é o planeta Terra – há suprimentos para todos, em abundância.

O personagem principal inicia sua jornada no poço num bom andar, porém quando o “banquete” chega a ele, o que sobrou está mordido, há muitos restos e, a loucura pelo alimento é tanta, que os presos pisoteiam por cima da comida – conclusão, o “andar abaixo” sempre ficará com os restos deixados pelos superiores. Uma alusão perfeita a nossa ganância – quem está por cima, quer cada vez mais e melhor, não se importando com os menos favorecidos. E isso faz com que cada camada social crie dentro de si uma revolta por esse sistema tão desumano (capitalismo selvagem), “pisando” nos seus inferiores. Como exemplo, podemos trazer a situação dos moradores de rua nessa quarentena – se já não existia comida, com todas as pessoas “guardadas” e restaurantes fechados, resta fuçar os lixos em busca de restos, visto que as doações cessaram. Sem contar o “fique em casa” como precaução a contaminação do coronavírus. Para onde eles irão?

Um pouco a frente, o personagem acorda num andar muito inferior, aonde o banquete chega vazio, apenas talheres e prataria. O que é o dinheiro comparado à fome? Nada. Chegamos em 2020 sedentos por poder, carros, casas luxuosas, ostentações, viagens e nos esquecemos de nossas necessidades primárias e quantos são atingidos por essa ganância exacerbada. Como consequência, temos um planeta saturado, rios poluídos, animais extintos, terras saturadas por agrotóxicos e mega negócios esgotando o planeta. Imaginemos esse filme, com mais de trezentos andares, quantas pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, sem esperança de vida.

No momento em que o personagem começa a ter consciência da profundidade do poço, e de como é a vida de quem não tem acesso ao banquete, sua concepção muda. A fome nos enlouquece e fazemos qualquer coisa para saciá-la, daí o filme passa a ser classificado como terror/horror. É cada um com seu estômago - na luta pela sobrevivência um caramujo é comida. A alusão condiz quando o ser humano, se achando digno de esbaldar seu dinheiro e poder, muitas vezes porque já esteve em andares inferiores e outras vezes por um vazio existencial nutrido de ganância, precisa sentir na pele as diferenças sociais e as camadas existentes na sociedade, para mudar sua forma de olhar o mundo. Por isso o filme é uma alusão perfeita ao momento em que todos nós estamos lutando pela vida.

Num próximo passo do filme, o personagem se depara com uma mulher que trabalhou na “administração” do “poço” a vida toda e, diz que a intenção do poço, é a “solidariedade espontânea”. Ambos se encontram num dos primeiros andares. Sobre a solidariedade, a ideia seria “Quem comeu hoje, não come amanhã – porque muitos deixaram de comer ontem por falta de alimento”. E assim todos sobrevivem.

Até que o personagem resolve “descer” com o banquete na plataforma, para ensinar a todos sobre a solidariedade. E aí a rebelião humana começa. Os “spoilers” param por aqui, porque desejo que você assista ao filme.

Quanto à “mensagem” que a “administração” precisa ter para que “o poço” não exista mais, fica a critério da imaginação de cada um. Talvez a pandemia do coronavírus seja sim uma mensagem da administração (universo, criador) para que a diferença social (o poço) não exista mais.

Um filme que mexe com a gente do começo ao fim. É necessário força para assisti-lo até o final, mas vale muito a pena.

Uma ótima reflexão a você.


O POÇO - TRAILER








Redação: Silvia Delforno





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