Mapeamos  toda
pra
você.

 
 
Cadastre seu e-mail para receber nossos informativos.
 
 




Compartilhar

Publicado em 04/11/2015

SABER OUVIR E DIZER NÃO

Hoje abordarei um tema, que diz respeito a uma palavra tão pequena, mas com enorme significado emocional: o não. Parece incrível, mas a forma de se dizer e se ouvir um não, pode fazer significativas diferenças.

Os limites são necessários no decorrer de toda a vida, o contato social, a vida familiar, educacional, corporativa e sentimental exigem que regras e normas sejam respeitadas o tempo inteiro. As transgressões são justamente por não se reconhecer que cada pessoa e contexto exigem um limite.

Podemos começar a refletir, e cada um deve ter muitas histórias para contar, de como foi seu primeiro contato com essa questão da negação. Muitos se reportarão a infância, com as diversas curiosidades e desejos de ter brinquedos iguais aos do amigo, doces em horas impróprias e outras pertinentes a idade.

A infância traz os primeiros passos para se iniciar a educação e incorporação dos limites, incluindo o não. Muitos pais, por terem na sua história uma extrema dificuldade em administrar a questão, também terão a mesma impossibilidade em passar aos filhos de forma equilibrada e segura a importância do ouvir e dizer não.

Quando os pais conduzem a questão do limite, de forma não a simplesmente negar, com um dedo em riste, mas a explicar as necessidades e os motivos do aceitar o não, podem ser responsáveis por grandes transformações. Dessa forma, tanto o dizer como receber o não, será algo de fácil compreensão.

 A figura materna principalmente, claro que não se excluindo a paterna ou cuidadores substitutos, exercem um enorme poder nessa tarefa inicial. A forma como se ouve um não poderá repercutir e repetir papéis tanto de autoridade e severidade, quanto de carinho e atenção.
 
O tom de voz e a expressão facial trazem ao bebê percepções do certo e o errado, a forma como se desenvolverá essa percepção trará conforto ou ansiedade e medo. A temeridade que muitas crianças desenvolvem em relação aos pais, podem ser significativas e causar traumas e desequilíbrios futuros.
 
No aprendizado escolar esses papéis poderão ser repetidos, ou o excesso de autoridade, ou a forma carinhosa que os educadores conduzem, também fará grande diferença no contexto da criança em desenvolvimento.

Os adolescentes de maneira geral, não absorvem com facilidade a questão do ouvir um não para suas vontades. Sejam elas questões simples ou mais complexas, como a aquisição de benefícios além da capacidade que os pais possam proporcionar, ou as adaptações com as regras e normas impostas no ambiente familiar e acadêmico.

No passado e nos dias atuais, ainda vemos cenas tanto de crianças como adolescentes, e até adultos, com comportamentos de birra, por não possuir desde cedo, a tolerância a frustração de não terem seus desejos realizados na hora e da forma com que elas gostariam que fosse.

O dizer o não, está intimamente ligado, a forma como se incorporou esse limite. Se foi de maneira amena, (onde pode ser compreendido seu significado ou sua importância, sem punições e críticas) sem dúvida, quando se houver necessidade de negar ou receber uma negativa em qualquer circunstância, ocorrerá de maneira leve e espontânea.

Interessante de se observar que na vida adulta, muitas pessoas sofrem intensamente por não conseguirem conviver com o dizer não. Permanecem em situações muitas vezes sofridas e constrangedoras ao longo de toda vida.

Podemos refletir que essa incapacidade de manifestar limites, necessidades e opiniões, está intimamente ligada a insegurança, a preocupação de desagradar o outro ou deixado de lado por não concordar.

O ouvir o não, nos reporta a forma como se tolera a frustração. Pessoas que não exercem essa tolerância, poderão demonstrar sentimentos agressivos, irritadiços, entre outros. Enquanto outras que tenham um bom equilíbrio saberão avaliar, questionar ou simplesmente acatar caso perceba a necessidade.

Muitas pessoas se sentem vitimadas e perseguidas ao entrar em contato com o não. É possível que suas experiências tenham se passado por profundas desvalorizações, do tipo você não é capaz. Reviver esses sentimentos é profundamente doloroso.

Outro exemplo que pode ser observado, é que muitos relacionamentos são mantidos, mesmo estando absolutamente desgastados, pela dificuldade de dizer um não a uma situação. O mesmo acontece nas relações profissionais onde não se consegue fazer mudanças.

Nas relações familiares, podem ser detectadas muitas situações onde seus componentes estão em constante atrito por faltarem com o estabelecimento de limites e o exercício do saber ouvir e dizer não.

Quantas vezes passam oportunidades ou decisões importantes por se ter o medo de dizer não? Tomar qualquer decisão implica em dizer não ao que não se quer mais e investir em uma outra situação.

Parece difícil e desgastante, em muitos momentos, tudo parece que irá se desestruturar e ficar sem controle. Mas ao dar o primeiro passo e experimentar, também poderá ter agradáveis surpresas entre elas, se perceber o quanto se pode ser capaz.

Sempre costumo dizer que a procura de ajuda profissional, será de grande valia. Pois sozinho, muitas vezes se torna complicado discernir por onde começar, quais as questões estão envolvidas na dificuldade do dizer e saber ouvir o não. Não se pode generalizar e rotular, pois cada um terá uma história de vida para contar.

A promoção do autoconhecimento é uma opção que traria uma série de possibilidades, pois se refere a saber identificar e, principalmente, administrar as emoções e sentimentos que surgem no decorrer da vida, entre eles, o dizer e ouvir não. Busque ajuda, descubra seus limites e também, todo seu potencial.


Claudete J. Silva Colunista de Saúde e Comportamento
Psicóloga Especialista em Clínica e Psicossomática
Tels: (11) 5583 3374 | (11) 99626-4832



Compartilhar


 


Portal Vila Mariana ® SP