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Publicado em 08/06/2017



A INDUSTRIALIZAÇÃO DOS ALIMENTOS

Em nossa sociedade, há muito tempo não precisamos mais caçar ou plantar, nem esperar aquele comerciante nômade trazendo novidades em alimentos que eram pagos com nosso excedente de produção.

Hoje em dia, temos a industrialização da comida, que coloca a nossa disposição diversos tipos de alimentos.

Compete a nós fazer as escolhas mais saudáveis. Para isso, precisamos ter informações as mais claras e exatas possíveis, certo?

Guia Alimentar Para a População Brasileira, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em 2014, define os alimentos industrializados da seguinte maneira:

In Natura – Alimentos in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais (como folhas e frutos ou ovos e leite) e adquiridos para consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza.

Minimamente processados – Alimentos minimamente processados são alimentos in natura que, antes de sua aquisição, foram submetidos a alterações mínimas. Por exemplo, os grãos secos, polidos e empacotados ou moídos na forma de farinhas; raízes e tubérculos lavados ou congelados, leite pasteurizado e cortes de carne resfriados. 

Segundo o Guia Alimentar, são exemplos de processos mínimos que transformam alimentos in natura em minimamente processados: remoção de partes não comestíveis, higienização, secagem, embalagem, pasteurização, resfriamento, congelamento, moagem e fermentação. 

Vale lembrar que, como em todo processamento mínimo, não há nesses produtos a agregação de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias.

Ainda são minimamente processados os produtos extraídos de alimentos in natura ou diretamente da natureza que usamos para temperar e cozinhar e criar preparações culinárias. Exemplos desses produtos são: óleos, gorduras, açúcar e sal.

Processados – Os alimentos considerados processados são produtos in natura aos quais a indústria acrescenta alguns elementos para torná-la mais durável e saborosa.

São alimentos processados: grãos ou legumes preservados em salmoura ou em solução de sal e vinagre, frutas inteiras preservadas em açúcar, carnes acondicionadas em sal, peixes conservados em sal ou óleo, queijos feitos de leite, sal e alguns microrganismos para fermentar, pães de farinha de trigo, água e sal, acrescidos de leveduras para fermentar a farinha.    

Ultraprocessados – Nessa categoria incluem-se a produtos cuja fabricação envolve diversas etapas e técnicas de processamento. Nestes, ocorre o acréscimo de vários ingredientes, muitos deles criados pela indústria em laboratório e não oriundos de plantas ou de animais. São os refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, enlatados, embutidos e frituras prontas, como a batata frita.


Os ultraprocessados

É a categoria mais polêmica atualmente, aquela que desde a década de 1980 vem apresentando um aumento expressivo de consumo por toda a população e que, no entanto, tem sido cada vez mais apontada por médicos e nutricionistas como alimento não saudável.

São produtos práticos, duráveis, baratos em sua maioria, e colocados no mercado com intensas campanhas publicitárias, que anunciam facilidades na dieta e omitem seu valor nutricional.

Na verdade, é porque não têm valor nutricional. 

Os ultraprocessados provocam uma supervalorização do paladar em detrimento da nutrição. 

São muito palatáveis: a propaganda e as embalagens têm grande apelo sensorial. Mas esse apelo vem justamente da utilização de substâncias pouco saudáveis, como o glutamato monossódico, que realça o sabor, ou a frutose, um açúcar modificado que altera o nosso metabolismo. 

Experimente fazer suco de fruta em casa e verificar se ele tem a cor intensa dos sucos artificiais. Ou, então, verifique se você pode fazer batatas fritas tão crocantes quanto as ultraprocessadas.

São práticos: a maioria dos ultraprocessados é pensada para ser consumida em qualquer lugar e sem a necessidade de pratos, talheres e mesas. É comum o seu consumo enquanto a gente assiste a programas de televisão, está na mesa de trabalho ou andando na rua.

Esse comportamento criado pelo produto ultraprocessado atrapalha os mecanismos de saciedade do nosso organismo e faz com que nossa ingestão desses tipos de comida se torne cada vez mais elevada.

Têm alto poder calórico: no ultraprocessamento, perdem-se os nutrientes e acrescentam-se calorias. É um excesso de calorias que não nutrem, são calorias vazias. Um bom exemplo são os refrigerantes: têm um sabor artificial que exacerba os sentidos e cria um padrão de gosto no organismo. 

Uma criança acostumada a tomar refrigerante, muitas vezes não consegue tomar nem água. Daí a importância de os pais cuidarem dos padrões de gosto que seus filhos estejam desenvolvendo. É preciso prestar atenção ao marketing vinculado a esses tipos de alimentos, especialmente ao público infantil, pois além de usarem propagandas intensas, vinculam diversão e brindes a alimentos muito pouco nutritivos.

Não são comida de verdade: não têm quantidades significativas de vitaminas, minerais, fibras e outras substâncias que estão presentes nos alimentos in natura. 

Por outro lado, apresentam grande quantidade de sódio, açúcar e gorduras saturadas, os elementos clássicos que os médicos alertam, hoje em dia, como causadores de doenças do coração, diabetes, hipertensão, cáries e obesidade. 

Não posso mais comer os ultraprocessados?

É impossível negar-se totalmente a uma oferta de produtos tão intensa quanto esta. 

Não podemos cair fora e abandonar a nossa sociedade, buscando um cantinho para plantar e voltar às origens. Mas podemos pensar “fora da caixa” e tentar obter uma nova perspectiva.

Você pode tornar-se um consumidor mais consciente, menos passivo, não comprando um produto só porque a mídia o induz a fazer isso. Com algum esforço, você irá abandonar o consumo imediatista, tão comum hoje em dia.j

O ultraprocessado é um fenômeno típico de nossa era e a ele estamos submetidos até que as indústrias alimentícias resolvam visar menos lucro e privilegiar a saúde dos consumidores. E, consequentemente, dar mais espaço aos pequenos agricultores e aos produtos orgânicos. 

Nada é proibido, mas você deve consumir os ultraprocessados com menor frequência. Para manter sua saúde, uma medida razoável é incluir um deles no cardápio uma vez por semana. Mas só um deles. 

Escolher cachorro-quente com batata frita, por exemplo, não é uma boa ideia; é uma redundância de ultraprocessados. 
Procure conhecer bem as marcas de sua preferência, atentar para o rótulo dos produtos e planejar bastante as suas compras.

Faça uma reflexão sobre seus hábitos de consumo e promova isso a seu entorno, a começar de seus familiares.


AUTOAVALIAÇÃO


Verifique a relação abaixo de produtos ultraprocessados e avalie quantos você consome todo dia, quais poderá deixar para consumir apenas uma vez por semana e quais poderá eliminar de vez da lista de supermercado.


1.  Achocolatados e outras guloseimas
12.  Enlatados que contenham algo mais que conservantes
2.  Batata frita 
13.  Fórmulas infantis e alimentos para bebês
3.  Bebidas energéticas
14.  Frituras
4.  Biscoito do tipo snack (para lanche), salgado ou doce
15. Gelatinas industrializadas
5.  Bolachas recheadas
16.  Iogurtes industrializados
6.  Bolos, misturas prontas 
17. Macarrão instantâneo
7.  Cereais açucarados para desjejum 
18.  Mistura para preparar refrescos 
8.  Chocolates
19.  Pães para hambúrguer ou hot dog ou outros que contenham gordura vegetal hidrogenada, açúcar, amido, soro de leite e emulsificantes
9.  Congelados
20.  Pizza congelada pré-preparada 
10.    Embutidos
21.  Pratos de massa congelados pré-preparados
     a.  Linguiça
22.  Pratos prontos congelados
     b.  Lombo Defumado
23.  Queijinhos do tipo petit suisse
     c.  Morcela
24.  Refrescos em pó
     d.  Mortadela
25.  Refrigerantes
     e.  Paio
26.  Salgadinhos “de pacote”
     f. Pastrami
27.  Sobremesas instantâneas
     g.  Presunto
28.  Sopa em pó ou instantânea
     h.  Rosbife
29.  Sorvetes
     i.  Salame
30.  Suco de fruta líquido
     j.  Salsicha
31.  Suco em pó 
     k.  Salsichão
32.  Temperos prontos
11.  Empanados do tipo nuggets
33.  Tortas congeladas


Sugestão: Faça dessa Autoavaliação um jogo. É uma boa oportunidade para reunir a família e repensar a lista de compras de alimentos. Distribua para cada um, fichas em que caibam o nome do ultraprocessado, a atual relação da pessoa com ele e o que a pessoa se propõe a mudar. Isso se dará no cruzamento de três categorias, assim nomeadas:


Consumo Diário           Consumo Semanal           Posso Eliminar

Exemplos: 

 Ultraprocessado

 10.j.  Salsicha      Consumo Semanal

                                   Posso Eliminar


 Ultraprocessado

26. Salgadinhos de pacote     Consumo Diário

  vou passar para              Consumo Semanal

Em um assunto bastante espinhoso com o dos ultraprocessados, o efeito didático desse jogo, além de informar, aliviará tensões e, principalmente, tirará você e seus familiares de um mal maior: o de impor mudanças de hábitos à força, destilando dolorosos e tóxicos processos de mágoa e culpa.




Marília Muraro
Colunista Gastromania
marilia.escrita@gmail.com 





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