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Publicado em 12/08/2013


MEDITAÇÃO TERAPÊUTICA



A MEDITAÇÃO ultrapassou os limites dos mosteiros e templos indianos, chineses e japoneses para instalar-se, definitivamente, no cotidiano de pessoas as mais diversas e sem compromisso com religiões ou filosofias religiosas. A meditação da qual falaremos aqui é a da tradição Samkhya – um tipo de meditação usada para terapia de diversos comprometimentos físicos e psíquicos. Denominamo-la Meditação Terapêutica - um método de introspecção com objetivos bem demarcados e estruturados.

Trata-se de uma técnica de si, um trabalho de si, uma arte de si, cujo conceito central é o de isolamento/integração pessoal, um proverbial estado de quietude existencial extremamente útil na saúde geral, que não implica afastamento do mundo.


A Meditação Terapêutica situa-se entre as práticas contemplativas, de concentração mental, de abstração dos sentidos e da mente, bem como do relaxamento geral fisio-psíquico. Alivia quase todos os distúrbios psicossomáticos (de asma à propensão a fazer acidentes físicos) além daqueles efeitos deletérios do estresse. É, também, o pré-requisito para meditações cada vez mais profundas até que se alcance o Kaivalya, o nome indiano para um estado de profundo isolamento e ao mesmo tempo de integração com o mundo – ferramenta muito especial para operar mudanças internas ao eu e no ambiente.

A prática da Meditação Terapêutica é simples e fácil. Não pede requisitos intelectuais ou capacidade mental superior; requer apenas disponibilidade de quinze minutos diários e um local minimamente confortável. O resto se conquista com paciência e dedicação. Desde a primeira meditação os resultados são completamente visíveis, tanto para o praticante como para quem observa de fora. Rapidamente mudam-se as relações com o tempo, com as pessoas e consigo mesmo. Diminui o estresse, aumenta a eficácia no trabalho e produz estados de contentamento existencial.


BENEFÍCIOS

A Meditação Terapêutica aumenta a eficácia de sete circuitos vitais humanos:

a) circuito genésico, aumentando a libido para a vida; corresponde ao chakra básico ou sexual na tradição indiana;

b) circuito cinestésico, criando resistência a dor, consciência espacial, redução dos distúrbios de medo; corresponde ao chakra umbilical;

c) circuito volitivo, criando calma e concentração e reduzindo impulsividade autodestrutiva; corresponde ao chakra epigástrico;

d) circuito afetivo, produzindo autoconfiança, afetividade; corresponde ao chakra cardíaco;

e) circuito mnésico, estimulando a comunicação, desinibição e memória; corresponde ao chakra laríngeo;

f) circuito mental, aumentando a espessura do córtex órbito/frontal, tálamo e giro frontal inferior, produzindo memória elástica e segura; corresponde ao chakra frontal;

g) circuito do córtex pré-frontal, cingulado e insulado, produzindo ondas alfa e teta que por sua vez leva a estados conscienciais de profundo aquietamento existencial, relaxamento, atenção e resiliência psíquica; corresponde ao chakra coronário;

Estas conquistas da Meditação Terapêutica Samkhya constituem a parte inicial de um processo que leva à saúde existencial por meio do “isolamento/integração” (Kaivalya), estado de profundo alerta mental, mas sem ansiedade ou estresse. Sintomas de angústia, raiva, hostilidade, dor, falta de ar diminuem ou desaparecem pelo acalmar dos pensamentos, pela clareza da percepção, confiança, coragem, intuição e flexibilidade psíquica.


Há uma aproximação mais significativa consigo mesmo e mudanças benéficas em fatores psicológicos mais profundos causadores de estresses.

A plataforma teórica deste trabalho é um entrecruzamento da teoria do amadurecimento de D. W. Winnicott e do conceito de Kaivalya da filosofia inventarista Sámkhya de Kápila. De Winnicott extraímos o que ele chamou de “solidão essencial” um estado que vivemos na primeiríssima infância, ligado quase que exclusivamente ao corpo, onde apenas existe um vivente e não um experimentador (este já um estado bastante sofisticado de sujeito social). Esse estado é retomado cotidianamente em diversas formas: no sono profundo, pós-orgasmo, depois de exercícios físicos extenuantes, até cochilos e certas recusas de manter relações pessoais e muitas outras inatividades seguidas de ataraxia, anestesia e solitude. Não se trata de uma fuga do mundo, mas, pelo contrário, armar-se de uma excelente ferramenta de atuação no mundo, com a calma e fortalecimento necessários para fazer frente às vicissitudes cotidianas ou extraordinárias.

Em resumo, a meditação visa alcançar uma sequência de estados pessoais, físicos e mentais, que se aproximam daqueles estados da solidão essencial. Seus trabalhos mais visíveis são: estabilização do pensamento até que se torne controlado pelo meditante; controle da vontade, até que esta força possa voltar-se favoravelmente para o praticante; melhor relacionamento com os próprios impulsos diminuindo a escravidão pelas premências psíquicas e corporais. O Samkhya de Kápila tem um nome muito peculiar para este estado da meditação – Kaivalya – que significa, entre outros significados, “isolamento” e “integração” tudo ao mesmo tempo. Trata-se de estar isolado do mundo e do próprio ego, somente para retornar a eles de modo integrado. O isolamento produz integração, em outras palavras. Quando o meditante alcança o isolamento acaba por funcionar melhor no mundo e em relação ao próprio ego, podendo influenciar e também se adaptar a eles. É uma revolução interior que sempre se espalhará pelo mundo. Ser meditante é tornar-se, dia a dia, melhor pessoa, uma pessoa total, um ser humano responsável pelo mundo em que vive; uma busca de si mesmo. Em última instância meditar é um dos prazeres da vida; e como todos os grandes e refinados prazeres, exige auto-estudo, trabalho e dedicação. Em um certo momento se torna uma forma de prazer como a enofilia (o prazer de usufruir do vinho) ou a gastronomia.


Levi Leonel de Souza
Colunista de Autoconhecimento



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