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Publicado em 07/04/2015


PARTO NORMAL OU CESÁREA?

Novas medidas da ANS devem entrar em vigor a partir de junho de 2015

Por decreto da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), o parto normal deve ser mais estimulado no Brasil, reduzindo assim o número de cesáreas, por meio das operadoras de saúde, que terão 180 dias para iniciar o seguimento rigoroso das novas regras. Mesmo com tantas especulações envolvidas, é preciso discutir os reais benefícios do parto normal, como por exemplo, a produção da proteína UCP2 (Proteína Desacopladora mitocondrial 2) no cérebro de recém-nascido, que, como demonstram alguns trabalhos científicos, melhora o desenvolvimento e a função neural na idade adulta – a ação desta proteína é prejudicada no cérebro de bebês nascidos por cesárea. Também é importante colocar em discussão as diferenças entre o parto normal (hospitalar) e o dito humanizado, que se orienta para que seja feito em casa, uma vez que ambos requerem supervisão médica e infraestrutura de equipamentos (por exemplo, semi UTI), situação praticamente impossível no domicílio.
 
Hoje, o Brasil é o país que possui o mais alto índice de cesarianas do planeta, chegando a 88% pela rede privada e 46% na rede pública, segundo alguns dados estatísticos, enquanto o recomendando pela OMS (Organização Mundial de Saúde) é de apenas 15%. Para o pediatra e diretor da clínica MBA Pediatria Sylvio Renan, no Brasil se estabeleceu uma cultura de que o parto cesáreo é mais fácil, melhor para a mãe e para o bebê, além de ser feito com anestesia – o que anima muitas mulheres.
 
“O parto cesáreo deve ser indicado em algumas ocasiões excepcionais, quando há problemas maternos, como quadril estreito, hipertensão e doença materna grave - cardiopatia, doença renal crônica, etc. -, e também para o feto - posição pélvica, circular de cordão, sofrimento fetal, entre outros motivos. Ou seja, somente quando há risco efetivo para um ou para ambos”, diz o pediatra. "O parto normal ocorre habitualmente quando o feto está plenamente maduro, no que se refere à formação completa dos pulmões, fígado, intestinos, sistema nervoso, sistema imunológico, pele e todo o organismo. É essa maturidade que irá permitir ao bebê enfrentar as dificuldades que encontrará no ambiente externo", completa Sylvio Renan.  
 
O tempo médio de um parto normal é de 6 a 12 horas – sendo que atualmente, pelo uso de medicamentos que diminuem o tempo de dilatação do colo do útero consegue-se uma redução do tempo do trabalho de parto, sem risco de prejuízo para a criança. Os riscos de infecção hospitalar são menores quando ocorre o parto normal, já que a cesárea é uma cirurgia e, por este motivo, expõe as partes internas, o que facilita infecções. A cesárea tem duração média de 20 a 40 minutos.
 
Segundo o pediatra, a recuperação do parto normal é melhor para a mãe, que poderá voltar a se locomover horas depois e retomar a rotina rapidamente. “Após o parto (normal), o bebê não precisa de recuperação, mas sim de adaptação ao novo ambiente. E o contato entre mãe e filho é maior, pois se estabelece neste momento o vínculo maternal”, explica o pediatra. 
 
Sylvio Renan lembra ainda que existem pesquisas que já evidenciaram outros benefícios, em longo prazo, para os bebês nascidos de parto normal. “Os recém-nascidos neste tipo de parto têm melhor desenvolvimento motor, respiratório e cerebral, inclusive em relação à memória, que a proteína UCP2, fundamental para o desenvolvimento do cérebro, tem ação melhor no desenvolvimento dos neurônios em bebês nascidos de parto normal que nos de cesárea", completa o médico, membro da Sociedade Brasileira de Pediatria.

 
Em casa
 
O especialista faz ainda um alerta para mães que optam pelo parto natural em casa, denominado ‘parto humanizado’. “Devem-se tomar algumas precauções para garantir a saúde da mãe e do bebê, como a presença de médicos, de outros profissionais da saúde e até mesmo de logística de transporte para hospital, em casos de necessidade”.
 
Com as novas medidas da ANS, que entrarão em vigor a partir de junho de 2015, Sylvio Renan acredita que, com algumas medidas específicas, a ação poderá vir a ser positiva. “É preciso que sejam criadas algumas condições: Campanhas de esclarecimento para as mães, melhores honorários médicos para parto normal, informação dos benefícios para a saúde da mãe e do bebê e instalações peri-hospitalares para que haja condições ideais para a realização do parto normal”, diz o pediatra.
 
Pediatra há mais de 30 anos, Sylvio Renan destaca o louvável trabalho dos movimentos de mães que desejam realizar o parto normal para promover o que há de melhor para a saúde delas e de seus filhos, além de estimular o poder de escolha, sem interferências de profissionais ou planos de saúde.
 
 
Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros:
 
O Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros é autor do livro "Seu bebê em perguntas e respostas - Do nascimento aos 12 meses". Formado pela Faculdade de Medicina do ABC, tem especializações e títulos pela Unifesp/EPM, Sociedade Brasileira de Pediatria e General Pediatric Service da University of California - Los Angeles (Ucla). Sylvio Renan atuou por quase 30 anos no Pronto Socorro Infantil Sabará e foi diretor técnico do Hospital São Leopoldo, cargo que deixou para se dedicar ao seu consultório, a MBA Pediatria, e à literatura médica para leigos.
 













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