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Publicado em 08/11/2017



GASTRONOMIA SOCIAL

UM AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO


A partir do ano de 2017, o dia 1º de outubro tornou-se, oficialmente, o Dia Mundial da Gastronomia Social.

A data foi escolhida em janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, com a participação de brasileiros engajados nesse movimento.  Assim, a Gastronomia Social abre o mês no qual se comemora, também, o Dia Mundial da Alimentação, no dia 16, e o Dia Internacional para Erradicação da Pobreza, no dia 17.

Todas essas datas estão diretamente vinculadas aos objetivos do Desenvolvimento Sustentável, uma atitude considerada, hoje em dia, como uma das mais importantes da história da humanidade. 

Vamos lembrar que:

Desenvolvimento Sustentável é aquele que procura satisfazer as necessidades da geração atual sem comprometer as necessidades vitais das gerações futuras. Mais filosoficamente, é uma forma de desenvolvimento que procura manter o equilíbrio entre a natureza e os homens.

Pois é na Gastronomia, uma área em que o desperdício de alimentos é uma constante diária, que agora se fortalece esse movimento global. 

O acordo selado no Fórum Econômico Mundial considera que administrar o desperdício tornou-se prioritário para a humanidade e que o excedente da cozinha é uma preciosa ferramenta de transformação social.

Assim, a gastronomia torna-se muito mais do que um prato, uma técnica ou uma moda. É reconhecida como um agente de transformação social.

É um exercício de união de quem precisa comer, quem quer cozinhar e quem tem comida sobrando.

Grandes chefs brasileiros estão envolvidos com essa causa já há algum tempo, como (em ordem alfabética): Alex Atala, David Hortz, Gabriel Matteuzzi, Ivan Ralston, Pedro Siqueira e Roberta Sudbrack. E também existem diversas ongs sérias espalhadas pelo Brasil desenvolvendo sistemas de coleta e aproveitamento do desperdício de alimentos.  

Algumas já se consolidaram em grandes projetos de Gastronomia Social e atuam em nosso país há mais de vinte anos. 


Mesa Brasil

É um programa criado pelo Serviço Social do Comércio, o SESC, que atua como uma grande rede de conexões entre doadores, instituições sociais e voluntários para reaproveitar o que era aparentemente descartável. 

Sua origem remonta a 1993, quando o SESC São Paulo engajou-se naquele movimento nacional liderado pelo sociólogo brasileiro Herbert de Souza, o Betinho: a “Ação da Cidadania para o Combate à Fome e à Miséria e pela Vida”.

Baseado no princípio de que a alimentação é um direito de todo e qualquer cidadão, o projeto Mesa Brasil do SESC está em consonância com a Gastronomia Social, trabalhando como um elo entre empresas e instituições sociais de todo o Brasil, alimentos in natura ou industrializados, que perderam seu valor comercial, mas têm condições próprias para consumo, são recolhidos nas empresas e imediatamente encaminhados a instituições que os utilizam na preparação de refeições servidas aos assistidos. 

O programa motiva e subsidia, por meio de sua experiência, a criação e o fortalecimento de Bancos de Alimentos em todo o país. E promove a parceria entre diversos protagonistas sociais, estimulando ações educativas voltadas para a autonomia das pessoas.    

Para “buscar onde sobra - entregar onde falta”, o projeto conta com veículos próprios para o transporte de alimentos, isotérmicos ou refrigerados, e equipes treinadas que se responsabilizam pela seleção e o correto acondicionamento dos alimentos. E seu sistema de distribuição garante o atendimento de todas as instituições cadastradas no Programa, de acordo com o perfil do público, o tipo de produto, a validade e a capacidade de consumo.

O Mesa Brasil também exerce uma ação educativa: realiza cursos, treinamentos, oficinas, workshops, palestras e seminários dirigidos às empresas e instituições sociais envolvidas nessa parceria. Seu objetivo educacional é garantir, em todas as etapas do processo, a qualidade dos alimentos, seu total aproveitamento, a preparação de uma refeição balanceada e segura, e a formação de hábitos alimentares saudáveis. Além disso, trabalha conceitos importantes, como cidadania, autonomia e sustentabilidade, visando contribuir para o fortalecimento das instituições sociais.


Quem doa

Por intermédio do Mesa Brasil, as empresas exercitam sua responsabilidade social sensibilizando os próprios colaboradores para se engajarem no combate ao desperdício de alimentos e na redução da fome no país. Como resultado, essas empresas passam a disponibilizar para o projeto gêneros alimentícios, produtos e serviços de limpeza, transporte e pessoal de apoio.

De janeiro a maio de 2017 o Mesa Brasil contabilizou 3.089 empresas parceiras (doadores sistemáticos).


Quem recebe

O Mesa Brasil SESC atende prioritariamente pessoas em situação de vulnerabilidade social e nutricional que estão sendo assistidas por entidades sociais. 

De janeiro a maio de 2017 o Mesa Brasil contabilizou 5.675 entidades que estava assistindo permanentemente. 

O Programa Mesa Brasil SESC também atende, em caráter emergencial, populações vítimas de enchentes e alagamentos em todo o país. Com um trabalho de logística humanitária, arrecada e distribui donativos para desabrigados e desalojados.


Voluntariado

O desenvolvimento e o sucesso do Mesa Brasil dependem diretamente da participação e adesão da comunidade. 

O voluntário, para o SESC, é um cidadão com potencial de realizar intensas transformações sociais. Sua participação nesse projeto é a que mais contribui para a qualidade de vida dos que estão em situação de vulnerabilidade. A qualidade de vida daquelas pessoas que, hoje em dia, compõem uma grande parcela de nossa sociedade.

De janeiro a maio de 2017, o Mesa Brasil contou com 630 voluntários trabalhando no projeto e treinou 44.391 multiplicadores nas ações educativas.

Com o simpático lema “Alimente essa Ideia”, o Mesa Brasil SESC promove a prática de ações voluntárias, ou seja, ações de pessoas que, motivadas pela solidariedade, doam tempo, trabalho e talento, de maneira espontânea e não remunerada a favor do bem comum.

 Se quiser saber mais a respeito, consulte a referência no final deste artigo.


Gastromotiva

Esse projeto esteve presente no Fórum Econômico Mundial, em Davos, em 2017, na ocasião em que foi estabelecido, oficialmente, o 1º de outubro como o Dia Mundial da Gastronomia Social. 

A ideia da Gastromotiva surgiu quando o chef de cozinha David Hertz resolveu deixar sua posição em um restaurante paulista para ensinar jovens da periferia a preparar alimentos em sua própria cozinha, sem cobrar nada por isso. 
Essa atitude acabou se transformando na primeira iniciativa de um grande projeto que se insere na Gastronomia Social promovendo educação, empregabilidade e geração de renda.  

A Gastromotiva acredita que a educação é um dos ingredientes fundamentais para o desenvolvimento do país. Baseada nisso, investiu na capacitação de jovens talentos que precisam de oportunidade para crescer e foi desenvolvendo vários cursos e projetos sociais.


Curso de Capacitação em Cozinha 

Esse curso atende jovens de 17 a 35 anos, com renda familiar de até três salários mínimos. São pessoas em busca de oportunidades, que não têm qualificação profissional, mas que apresentam alto potencial de trabalho.  

A metodologia do Curso de Capacitação em Cozinha aborda as habilidades básicas do ato de cozinhar, mais confeitaria, panificação, ecogastronomia, higiene e segurança alimentar. Também envolve aulas de cidadania, postura profissional e outras disciplinas que agregam valores não só à formação profissional, mas também pessoal, dos alunos.  

Tem duração de quatro meses e seu objetivo é preparar os alunos para serem capazes de atuar no mercado de trabalho com comprometimento, responsabilidade e disposição para seguir carreira nessa área.

O curso é financiado por empresas, fundações, institutos e indivíduos que acreditam na causa e também por uma rede do mercado gastronômico que apoia a Gastromotiva e recebe os aprendizes depois de formados, ajudando a inseri-los no mercado de trabalho. 

Desse modo, esse projeto da Gastromotiva já conseguiu atingir um índice de 80% de empregabilidade no decorrer de um ano após o término de cada curso.

Atualmente, no Brasil, as aulas do Curso de Capacitação em Cozinha acontecem em São Paulo, na Universidade Anhembi Morumbi (São Paulo); na UNIFACS (Salvador, Bahia) e na UNISUAM (Rio de Janeiro).


Curso para Empreendedores Gastromotiva

Esse curso tem como principal objetivo promover a inclusão social por meio da gastronomia. Seu currículo envolve a duração de 80 horas, e está focado no desenvolvimento pessoal, no empreendedorismo e no empoderamento, ou seja, na percepção do poder que se adquire ao fazer a autogestão da própria vida. 

As aulas práticas abordam as principais técnicas de panificação e confeitaria, com ênfase no tema “faça e venda”. Nas aulas teóricas, o foco é a cidadania, o empreendedorismo e a elaboração de custos, matérias que incentivam o desenvolvimento pessoal e auxiliam os alunos a estruturarem os próprios empreendimentos em suas comunidades. 

Ao final do curso, os novos empreendedores são monitorados e acompanhados por um período de seis meses.


Curso Super Liga Gastromotiva da Comida 

Voltado para a Educação Infantil, esse projeto da Gastromotiva busca alertar sobre os problemas da obesidade infantil e a importância de uma alimentação saudável.

A Super Liga nasceu a partir de uma inquietação da Gastromotiva a respeito da obesidade infantil, que observou serem comuns nas comunidades de seus alunos do Curso para Empreendedores. 

Com a finalidade de sensibilizar e conscientizar pessoas (pais, responsáveis, merendeiras, gestores escolares) sobre as doenças e problemas decorrentes da má alimentação, esse curso desenvolve oficinas com abordagem lúdica e divertida, para criar vínculos e atrair crianças e adultos.

Em 2015, a Super Liga da Gastromotiva foi homenageada pela Amil, uma empresa brasileira de assistência médica, com o Prêmio de Combate a Obesidade Infantil.


Projeto Gastronomia nos Presídios

O projeto piloto foi realizado no presídio masculino Adriano Marrey, no município de Guarulhos, em São Paulo, em março de 2011. 

Nascia, então, a ideia de tornar esse projeto uma política pública penitenciária. No entanto, sua viabilização dependia do apoio e da liberação de recursos governamentais. 

Entre 2013 e 2014, o projeto Gastronomia nos Presídios pôde ser aplicado em um curso de formação em duas turmas na Penitenciária Feminina da Capital. Os docentes foram os ex-alunos multiplicadores da Gastromotiva, além de profissionais dos restaurantes do chef Alex Atala.

No total, 60 mulheres presas e três funcionários da penitenciária concluíram o curso. Oito alunas, após cumprirem sua pena ou ingressarem para o regime semiaberto, continuaram sua formação no Curso de Capacitação em Cozinha da Gastromotiva. E destas, três já estão trabalhando na área de gastronomia.


O Refettorio Gastromotiva

Em um terreno cedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, esse projeto concretizou uma iniciativa trazida para o Brasil pelo premiado chef italiano Massimo Bottura (da ong Food for Soul), em parceria com o chef David Hertz, da Gastromotiva, e com a jornalista e autora Alexandra Forbes, especializada em gastronomia.

O projeto foi inaugurado durante os jogos olímpicos de 2016 e já se tornou um legado para a cidade do Rio de Janeiro. É um galpão com restaurante, cozinha profissional, escritório e espaço para eventos onde se oferece “comida, cultura e dignidade para todos”.

O Reffetorio Gastromotiva funciona como um restaurante-escola onde chefs convidados e jovens talentos da gastronomia se unem para contribuir na luta contra o desperdício de alimentos, a má nutrição e a exclusão social.

Hoje, a Gastromotiva tem o apoio de dezenas de organizações e centenas de indivíduos e voluntários. 

Depoimento de um voluntário

Tudo pronto, só falta um detalhe: a organizadora acrescenta giz de cera sobre a grande folha de papelão que forra as imensas mesas. Quando os convidados começam a entrar, a primeira coisa que eles fazem e pegar o giz e começar a desenhar e escrever à espera da refeição.

"Posso escrever aqui?", pergunta um convidado. "Eu vou escrever uma letra de música aqui!", diz outro. E assim começa uma imensa criação coletiva. Uma percepção bem sensível, pois não basta a comida, é preciso também haver a arte. Faz parte da dignidade, porque é ela que afirma a existência deles. Afinal, precisam ser vistos, precisam de atenção, pois têm uma imensa necessidade de expressão.

Fonte: Fabio Penna, em https://trendr.com.br/   

No Reffetorio Gastromotiva, a cozinha funciona com ingredientes que sobram. Tudo é feito com alimentos que seriam descartados por supermercados e restaurantes. O almoço é servido para o público pagante e o jantar é de graça para população carente e vulnerável do entorno pobre daquela região, o bairro da Lapa.

Ali, trabalha-se com o conceito “pague o almoço e deixe o jantar”. E considera-se que recuperar os alimentos é tão importante quanto promover a dignidade das pessoas.

O jantar é oferecido, de segunda a sexta, para cerca de 70 pessoas em vulnerabilidade social, que são acolhidas por entidades parceiras, como a Secretaria de Assistência Social, por exemplo.

Chefs dos melhores restaurantes da cidade, que levam sua equipe, montam um cardápio e cozinham de graça. Além deles, há uma equipe fixa no local, que faz toda a logística para dar tudo certo, diariamente. 

O agente da transformação social

O Dia Mundial da Gastronomia Social é mais um precioso alerta para as questões relacionadas ao desperdício de alimentos, para a necessidade de a população do planeta viver de modo sustentável e reconhece, oficialmente, a gastronomia como um importante agente de transformação social.

No Brasil, muitos projetos de voluntariado ainda estão invisíveis, hoje em dia, para grande parte da população. Alguns alimentam moradores de rua, outros ensinam a importância de uma boa alimentação, há os que exaltam o papel do pequeno agricultor na economia local através de aulas ou palestras gratuitas. Todos esses “invisíveis” estão, de alguma forma, doando informação, dignidade e respeito a seus semelhantes menos favorecidos. 

Mas não é a fama que importa. De mais valia é a ação e o entendimento dela.

No serviço voluntário há a doação e, de retorno, o prazer de sentir-se útil, além da oportunidade de aprender, de frequentar novos ambientes e conhecer outras pessoas.

Daí um precioso alerta: a generosidade e a caridade não podem prevalecer; por si só não vão lhe garantir um lugarzinho no céu. O mais importante do voluntariado é respeitar aquele que recebe, reforçando sua dignidade de ser humano. É essa postura que reverte ao doador uma possibilidade de crescimento pessoal.

Considere essas questões caso o conceito de Gastronomia Social tenha estimulado sua vontade de tornar-se um voluntário.

Para saber como ser voluntário nos projetos Mesa Brasil e Gastromotiva, siga os links:

PROJETO MESA BRASIL SESC
Informações sobre o que significa ser voluntário no Programa MESA BRASIL SESC.

•  GASTROMOTIVA





Marília Muraro
Colunista Gastromania
marilia.escrita@gmail.com 




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