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GRUPOS DE TEATRO

A FAMÍLIA QUE FAZ ARTE

Grupos de Teatro, amadores ou profissionais, patrocinados ou independentes, sempre influenciaram as mudanças sociais e políticas. Prisioneiros na ditadura ou perseguidos por religiosos, lançam talentos e nos fazem rir, chorar e pensar com seus espetáculos. Nessa matéria, em parceria com a jornalista Valéria Coco, mostramos o dia a dia da Companhia Ágata de Artes, residentes no bairro da Saúde há 11 anos, e mostramos a atividades de grupos na década de 70.



UMA TARDE COM O ÁGATA


A Companhia Ágata de Artes surgiu em 2001, quando um grupo de artistas se reuniu e resolveu mostrar ao publico espetáculos com textos de qualidade, grandes clássicos, bem diferentes do que se apresentava na época.

O grupo hoje conta com a participação de aproximadamente 30 artistas. No momento estão em cartaz com o espetáculo “A Vida é Sonho“.

Estive com parte do Grupo que está apresentando “A vida é sonho”, Inspirada na obra de Calderón de La Barca. Foi uma tarde muito agradável onde me contaram um pouco sobre como é o mundo do teatro.

Henrique Possetti é arquiteto e o mais jovem do grupo, porém o que está a mais tempo na Companhia. Começou na Ágata em 2002 e já participou de vários espetáculos, entre eles “Édipo Rei, Muito Barulho Por Nada, Hamlet, O Mambembe, Shakespeare Perdidamente Apaixonado, O Dia do Homem, O Pecado Nosso de Cada Dia, Que Pais é esse, O Pais das Olimpíadas". No momento se apresentando como Segismundo em “A vida é Sonho“, já se prepara para atuar como assistente de direção na próxima montagem da companhia “Ifigênia”, e conhecer um pouco esta outra parte do teatro.

Clarice Picchetti é aposentada, está no grupo há dois anos. Após participar de uma oficina da companhia, foi convidada para participar da montagem do “Gatos”, uma peça infantil de Jorge Oliva. A partir daí se juntou ao grupo e hoje faz o personagem Clarin, segundo ela, um contraponto no drama, por se tratar de um personagem engraçado.

Adeilda Sairie é costureira, está no grupo a sete anos. Pernambucana, veio para São Paulo atrás do sonho do teatro. Já participou de várias montagens da companhia, assim como o Henrique. Costureira ela também cuida da parte dos figurinos, dando idéia das roupas para os personagens. Nesta peça ela faz um soldado, cujo figurino ela disse ter dado uma adaptada para poder incorporar realmente o personagem.

Patrícia Cazol trabalha na área administrativa, está no grupo há dois anos, assim como a Clarice. Ela contou que desde a época de colégio, por influencia de uma professora de português, participou de diversas peças e apresentações. E a partir daí não parou mais. Em a “A Vida é sonho “, ela faz o papel de Estrela.

Milton Ostronoff é comerciante, começou com a Ágata em 2001, participou de algumas montagens, saiu, viajou e ao retornar, foi convidado para a Companhia novamente. Experiente, ele diz que o bom do teatro é que não se tem idade para começar ou para parar. Diferente de outras profissões onde as pessoas são vistas como “muito velhas” o teatro respeita muito. Ele diz que sempre encontrou muita cordialidade e respeito das pessoas para com ele.

Discriminação não existe. Além de estar em “A Vida é sonho “, no papel do Rei Basílio, ele também participa da montagem de peça “Sacra Folia”, uma comédia com estréia prevista para novembro próximo. Outra atividade dele é aula de sapateado.

Em comum, esse grupo todo trabalha em outra ocupação, que em outra ocupação que não o teatro e religiosamente, todas as terças-feiras á noite se reúnem por cerca de três horas para os ensaios.
Eles contaram como é participar da montagem de uma peça.

Milton comentou que quando se abre um curso de teatro aparecem umas cinquenta pessoas, dessas, muitas já vão com o seguinte pensamento: vou fazer o curso por três meses e logo aparecerá alguém para me levar para fazer novela. Quando essas pessoas vêem que não é nada daquilo, que requer muita dedicação e comprometimento acabam desistindo. Existe todo um estudo quando se resolve montar um espetáculo. São feitas diversas reuniões para discutir o texto, o figurino, os personagens.


Dependendo do espetáculo são feitas aulas (no caso de “A Vida é sonho “, foram passadas técnicas de “Shintaido “, pelo Ruben Espinosa, um dos diretores da Peça. Tudo isso é feito antes de começarem os ensaios. Henrique comentou que muitas pessoas perguntam “ você está fazendo teatro e quando vai fazer novela?” achando realmente que para o ator fazer novela é uma meta. Mas isso não é verdade. O Milton ainda completa “quem faz teatro, faz cinema e novela, mas quem faz novela, nem sempre consegue fazer teatro”. Teatro é uma grande escola. Clarice ainda completa que para fazer teatro a pessoa tem que realmente gostar muito.


Falaram da convivência dentro do Grupo Ágata. Todos concordaram que o relacionamento entre eles é muito prazeroso. Henrique disse que já participou de outros grupos, e o diferencial no Ágata é que todos são amigos, mas cada um tem a sua vida. Não existe aquele convívio fora dos ensaios e as apresentações.

Patrícia fez escola de teatro e também participou de um grupo. Ela diz que no grupo você aprende praticando, na escola passa por muitas etapas e tem muita teoria.

Falaram sobre o processo de criação dos personagens – Cada um usa de um artifício para desenvolver o seu personagem. Um detalhe na roupa, uma frase, um ponto na historia que toca o ator, tudo isso é utilizado para a preparação.

Para finalizar, eles falaram alguns de seus ídolos e nomes como Fernanda Montenegro, Andréa Beltrão, Bibi Ferreira, Marília Pera, Mary Streep foram citados. Depois de nomes com esse peso, só posso agradecer a oportunidade de uma tarde tão agradável e desejar muito sucesso para eles... Gambatê!!!


Por: Valéria Cocco - Jornalista
Formada em Jornalismo pela FIAM/FMU em 1994







AGENDA DA COMPANHIA ÁGATA


“A Vida é Sonho"

Direção: Silvio Tadeu e Ruben Spinozza

ECO – Espaço Cultural Oficina

Rua Alfredo Pujol, 381 – Metro Santana

Todos os sábados até 03/11 – 20h00min as



“Sacra Folia"

Direção: Edimar Castro

Teatro da Vila

Rua Jericó, 256 - Vila Madalena

Estréia dia 23/11 - 21h00min as



“A Vida é Sonho"

Mostra de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo

Espaço Redimunho

Rua Àlvares de Carvalho, 75 - Anhangabaú

Dia 24/11 – 18 horas - Única apresentação



Mais Informações:

(11) 4106-2507

www.agataart.com.br


GRUPOS HISTÓRICOS DA DÉCADA DE 70



Na esteira do “Teatro de Arena" e do “Teatro Oficina”, que apontaram caminhos e tendências, na década de 70, observa-se a proliferação dos chamados “grupos” no teatro brasileiro. A maioria raramente sobreviveu ao primeiro espetáculo, e definiu-se essencialmente pela experimentação.

Os grupos iniciavam suas atividades em uma faixa alternativa, ingressando no circuito comercial em função do sucesso alcançado junto ao púbico ou crítica. “Ficaram famosos o grupo “carioca “ Asdrúbal Trouxe o Trombone “, que estreou com o clássico “ O Inspetor Geral “ de Gogol, e se consagrou com a criação coletiva “ Trata-me Leão “, um mosaico de situações envolvendo os problemas dos jovens; “ O Pessoal do Vitor”, nascido em 1.977 na XIV Bienal de São Paulo, e responsável pela realização de “ Na Carreira do Divino “, pesquisa sobre a desestruturação da cultura caipira; o grupo paulista “Pod Minoga”, que se lançou com “ Folias Bíblicas “, e desenvolveu uma proposta crítica e informal da cultura kitsch; o grupo carioca “ Jaz-O-Coração “, realizou uma notável adaptação de “ Triste Fim de Policarpo Quaresma”; o “ Royal Bexigas “, formado por alunos egressos da Escola de Arte Dramática de São Paulo, que estreou em 1.974 com o “ Que você vai ser quando Crescer? “, espetáculo experimental. Remanescente da década de 60, o G.T.C. ( Grupo Teatro da Cidade ) atua desde sua fundação em 1.968 no ABC paulista com uma proposta: a descentralização procurando focalizar problemáticas específicas de seu meio. O sucesso desse grupo tornou prioritária a construção de teatros na região, como o Teatro Conchita Moraes, inaugurado em 1.970 com “ A Cidade Assassinada “ de Antônio Callado, e o Teatro Municipal de Santo André.

Na mesma linha o “Grupo União” e “ Olho Vivo”, de César Vieira, desenvolveram importante trabalho nos bairros operários.

Fonte: Nosso Século - 1960 / 1980

21/10/2012


Silvio Tadeu
Colunista de Arte e Cultura


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