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EXPOSIÇÃO JOIA CRIOULA

Ouro Negro

As joias encantam por sua beleza, opulência e simbologia. Através dos séculos elas têm sido criadas expressando gostos, sonhos, desejos, ambições. Ouro, prata e pedras preciosas foram, e são, as suas principais matérias-primas, que ganharam vida nas mãos de laboriosos mestres da criação: os joalheiros. Seu intuito é provocar admiração, encantamento, fascínio, deslumbramento, atração, sedução. Reflexos de uma época, de um estilo de vida, de um grupo social, o seu uso revela distinção social, riqueza, hierarquia, honraria, relações afetivas e crenças. Cada joia é um precioso registro histórico que fala de descobertas, domínio tecnológico, maestria artística, configurações econômicas e sociais. Mas as joias não aparecem isoladas, elas fazem parte dos modos de vestir, trajar, compondo visualidades derivadas de identidades.

Isso quem afirma é a própria curadora da exposição “ Joia Crioula “, Simone Trindade.

Estive visitando a exposição no Centro Cultural Caixa Econômica, que revela a riqueza das escravas baianas, alforriadas ou não, dos séculos XVIII e XIX.
Com enorme surpresa, soube que as escravas do Brasil Colonial usavam joias ...e de muito valor.

As joias eram usadas por mucamas em datas festivas, cujos senhores, queriam ostentar através de suas escravas o seu poder de consumo, também as concubinas e prostitutas para atrair clientes.


Eram nos festejos que apareciam as joias de crioula.

Bastante próximas das joias populares portuguesas, essas joias, são a expressão singular da criação de artigos de luxo diferenciados para as classes inferiores. Essas joias foram elaboradas especificamente para o uso de mulheres negras e mulatas crioulas (nascidas no Brasil) em ocasiões festivas, conforme atestam documentação iconográfica e os relatos de viajantes estrangeiros no período. Elas aparecem junto com os trajes crioulos festivos: a roupa de baiana e o traje de beca. Este era de uso mais restrito, cerimonial, para solenidades como as procissões religiosas, enquanto o outro era como um traje domingueiro, de ir à missa.



A Bahia se tornou o berço de criação e produção desta joalheria tipicamente brasileira.

Nessa exposição, podemos observar ornamentos em ouro para cabelos, par de brincos em coral, colares dourados com enormes pingentes, que nos fazem lembrar da exuberância das nossas baianas na atualidade.

Há uma tipologia específica das joias de crioula: correntão de crioula, colares de alianças ou grilhões, pulseira tipo copo, pulseira de placas, pulseira de bolas, brincos, abotoaduras e penca de balangandãs.




 

E QUEM USAVA AS JOIAS DE CRIOULA?


As joias de crioula não eram usadas por todas as mulheres. Elas não eram usadas por mulheres brancas nem por africanas. Elas fazem parte do universo material e simbólico de algumas mulheres negras e mulatas crioulas, parecendo ter sido expressão de status social e/ou da condição de alforriada. Além do seu valor econômico, elas eram insígnias de prestígio social e de poder.


As pencas de balangandãs são os mais curiosos e exóticos exemplares da joalheria crioula. Elas não são apenas joias e, por isso, não são tão comuns como os demais tipos da joalheria crioula. Elas possuem uma natureza mística, vinculadas à proteção contra o mau olhado e à propiciarão da fertilidade e da fartura. Geralmente foram confeccionados em prata, sendo usados por algumas negras e mulatas baianas na região da cintura/quadris. Esses objetos são constituídos por três partes: corrente (que fixa o adorno à usuária), nave ou galera (parte articulada, com abertura lateral, que agrupa os elementos pendentes) e elementos pendentes (diversidade de amuletos, talismãs e objetos decorativos).

Entre os elementos pendentes, em sua maioria também em prata, os mais frequentes são a figa, a chave, as moedas, o cilindro, a romã, o cacho de uvas, o peixe e os dentes de animais, remetendo a diferentes tradições.




Além das joias a exposição conta com curiosas fotografias de mulheres baianas, com seus trajes típicos e joias, entre elas de Gaiaku Luiza, que foi a inspiração de Dorival Caymmi, para a música
" O que é que a baiana tem ? ".



Visitar essa exposição é estar em contato com nosso passado escravo ou liberto.

 




Serviço :
Exposição : Joia Crioula
Onde :
Caixa Cultural - Pça da Sé, 111 - Centro
Telefone: (11) 3321-4400
Dias : Terça a domingo
Horário : Das 9h as 21h

Em cartaz até 23/09


Silvio Tadeu
Colunista de Arte e Cultura


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