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JÚNIOR NIAZZI

O salto para o desconhecido... mas em terra firme!!!

Como um ex-morador de rua, discriminado por sua cor pela própria família, não se envolveu com bebidas e drogas, e se tornou dançarino, ator e modelo fotográfico, um dos mais requisitados, pelas agências de publicidade.

Histórias de superação não são raras, e mostram a todos que uma vida melhor pode ser alcançada , apesar das limitações e obstáculos que nos foram impostos. Muitas pessoas fazem isso e são grandes exemplos:

Nosso entrevistado da coluna Arte e Cultura é o ator Júnior Niazzi , que gentilmente nos recebeu em seu apartamento na Vila Mariana, para uma emocionante entrevista sobre sua vida e carreira.


ENTREVISTA


1Quem é Júnior Niazzi ?

Sou ator, dançarino e modelo comercial. Nascido no bairro do Flamengo, Rio de Janeiro. Fui criado em São Paulo, tenho 31 anos, moro no bairro da Vila Mariana, sou um cara exigente, que luta por seus objetivos, sem ter que passar por cima de ninguém.

2 - A dança, o teatro, como você descobriu o artista em você ?

Primeiro veio o teatro, com uma peça de teatro dentro da escola onde eu estudava. Era um trabalho que valeria nota, o meu grupo fez uma apresentação em cima do programa "A Praça É Nossa ".
A apresentação deu tão certo que tivemos que apresentar não só para a classe, como também para todas as classes de todos os períodos da escola, foi daí que eu achei que poderia investir no teatro.

Só que por não ter conhecimento e não ter por onde começar ou fazer um curso, eu deixei isso guardado dentro de mim, talvez ainda não fosse o momento certo para seguir essa carreira.

Daí veio a grande paixão da minha vida que foi a dança. A dança começou nada mais, nada menos, com uma brincadeira entre amigos, pois na época eu tinha uns 12 anos de idade e era uma febre competições entre grupos de dança. Foi vendo os outros grupos que eu tive a ideia de montar meu próprio grupo de dança chamado " Danger House ". Foi um sucesso, muitas campeonatos foram ganhos.
Um tempo depois, uns seis anos mais ou menos, veio a febre do axé, foi também um sucesso.
Nesse meio tempo eu não mexia com o teatro, só fui buscar mesmo o teatro quando o meu grupo de axé terminou, pois devido aos componentes do grupo se casarem ou mudarem, o grupo acabou.

3 - Você foi morador de rua ?

Já morei na rua e isso me ajudou a conhecer o mundo de uma outra forma. Eu tinha mais ou menos onze anos.

4 - Como aconteceu ?

Eu sofria a agressão do meu padrasto, alcoólatra e usuário de drogas, que batia em mim e no meu irmão. Um dia ele chegou em casa alterado, se armou de um pedaço de madeira para me bater, por sorte a porta estava aberta e consegui correr, debaixo de muita chuva. Fui até o trabalho da minha mãe, para conseguir apoio, mas ela não ficou do meu lado. Diante disso, decidi morar na rua.

5 - Como saiu das ruas ?

Vivi essa situação até ser ajudado por uma vizinha de minha mãe, que lhe deu abrigo, e o ajudou a encontrar seu primeiro emprego em um posto de lavagem de carros.

6 - Você sofreu preconceitos na sua família ?

Durante anos pensei ser filho adotivo, e as diferenças raciais entre eu e meus irmão confirmavam isso.
A mesma pessoa que me acolheu, tirando-me das ruas, revelou que a história de minha adoção, não passava de uma estória, criada por minha mãe, para talvez negar a existência de um filho da cor negra.

7 - Como você vê hoje a situação do morador de rua do Brasil ?

Eu acho que está muito precária, não só aqui no Brasil, mas como do mundo inteiro. Às vezes vale muito mais uma conversa, do que um simples prato de sopa . Eu sei que muitos desses moradores, às vezes estão morando na rua por opção, pois alguns deles, acredito eu, estejam na rua por causa de drogas, bebidas, mas porque não tentar ajuda-los? Não com um prato de comida, e sim com um trabalho, uma palavra amiga.

8 - O que você levou dessas experiências que viveu ?

Para falar a verdade, eu procuro nem pensar mais nesse passado, (risos) mas quando me lembro, e vejo o que estou vivendo hoje, eu penso “ Eu sou um cara vitorioso”.

Eu tenho o maior orgulho de mim, por ter sido forte e não me deixar cair no mundo das drogas e por ter conseguido me reerguer.

Até hoje quando vejo pessoas em situação igual, eu sento e converso, e tento convencê-la de que é possível sair dessa situação quando se há força de vontade, talvez eu tenha vivenciado isso no passado para que no futuro, eu possa passar minha experiência para aqueles que esteja nessa mesma situação.

9 - Depois de muitos anos você ensinou arte para moradores de rua em uma ONG, como foi essa experiência ?

Foi uma experiência maravilhosa. Quando contava a minha experiência nas ruas, e como superei, sem me envolver com drogas ou álcool, muitas choravam de emoção .

10 - Como vai a carreira de ator ? Novos projetos ?

Trabalhando bastante graças a Deus, não só no teatro como na TV e no cinema.

Recentemente fiz alguns trabalhos como um longa sensacionalista, gravei um filme com Daniel de Oliveira chamado "A Montanha " , uma participação no filme " Luz nas Trevas ", um documentário na Discover Channel chamado, ” O maníaco do Trianon". Atualmente estou com um projeto de um espetáculo teatral, desenvolvendo um monólogo. Estou aberto para novos convites de trabalhos.

11 - O trabalho que lhe deu mais prazer em fazer ?

Eu acho que pra mim não existe o trabalho que dá mais prazer, pois cada trabalho que já realizei, tem seu valor e sua importância.
Todos são bem válidos para o meu crescimento como ator, assim sucessivamente, não sei se no futuro possa vir a existir, mas pensando no agora, todos são prazerosos.

12 - O que o ator Júnior Niazzi prefere ? Palco ou Câmera ?

Boa pergunta: penso o seguinte: os dois são muito importantes para a carreira de um ator, mas eu acabo escolhendo as câmeras pelo simples fato da sobrevivência.

Todos nós, que trabalhamos com a arte, sabemos que é maravilhoso estar em cima de um palco atuando, mas infelizmente no nosso país não existe muitos recursos para um ator de teatro, por isso não só eu como vários atores, acabam procurando as câmeras, pois ao menos lá os atores em geral tem uma chance de reconhecimento, e é de lá que a maioria consegue tirar o seu sustento, daí muitos acabam se apaixonando pelas câmeras.

Se um dia isso mudar, quem sabe, a opinião de muitos atores e atrizes não venham a mudar também, mas mesmo aqueles que trabalharam direto com as câmeras sempre voltam a atuar em cima de um palco, pois o teatro é a eterna escola de um bom ator.

13 – A dança ainda existe em você ?

Enquanto meu corpo e minhas pernas aguentarem, a dança sempre existirá dentro de mim, pois foi um dos motivos que estou envolvido até hoje com a arte.

Se não estiver envolvido com a dança diretamente com certeza estarei envolvido indiretamente.

14 - Como você compõe seus personagens ?

Começo a compor com minhas próprias impressões mas recorro muito a pesquisa, filmes, algumas vezes o complemento do personagem vem no decorrer do trabalho que está sendo realizado.

Há o complemento e há o excesso. É necessário saber dosar uma construção.

15 - Quem são os ídolos de Júnior Niazzi ?

Nunca escondi para ninguém que meu grande sonho seria contracenar, com Lilia Cabral, Fernanda Montenegro, Regina Duarte, Lima Duarte e Tony Ramos. Mas além desses existem outros que eu admiro muito que são: Antonio Fagundes, Claudia Raia, Regina Cazé, Patrícia Pillar, etc.

16 - Encerrando a entrevista, deixe uma mensagem para nossos leitores.

Nunca desista de seus sonhos, seja insistente, persistente, pois quando menos você esperar o seu sonho vai se realizar. E acima de tudo acredite em Deus, pois eu tenho certeza que ele está vendo o seu esforço.


Blog de Júnior Niazzi:


ATUAÇÕES DO ATOR




Silvio Tadeu
Colunista de Arte e Cultura

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