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Publicado em 05/10/2015

ELE VOLTOU...

O DISCO DE VINIL VOLTOU!!!!

Sim eu tive um, melhor dizendo... Vários !! 

O primeiro que ouvi tinha um artista com cara de sofredor na areia do mar, e a primeira música que ouvi nessa mídia falava  das “flores do jardim da nossa casa“ e também  das “curvas das estradas de Santos“. Era o Roberto Carlos. Não dava para imaginar uma ceia de Natal sem o lançamento anual do Rei. 

O segundo vinil que ouvi, acompanhou uma das maiores revoluções musicais da MPB: Secos e Molhados. O que chamou a atenção do menino de 08 anos?  Nada mais, nada menos que a capa do produto. Trazia a imagem dos artistas servidas á mesa em bandejas . O visual dos cantores, uma maquiagem carregada e a qualidade das músicas que aquele disco continha então, eram um fenômeno a parte. 

Traziam ao público as novidades musicais de um artista e do mercado fonográfico, marcaram época, tendências,  possuíam capas que são verdadeiras obras de arte. Ainda são? Ainda são! Presente, não mais passado!  Eles estão de volta!  Os discos de vinis voltaram, para o bem de nossos ouvidos, visão, tato e saúde musical. 

Pra quem nasceu a partir de 1997, quando em  31 de dezembro daquele ano foi encerrada a sua produção, e não souber do que estou falando,  o  disco de vinil, é uma mídia desenvolvida no final da década de 1940 para a reprodução musical, que usa um material plástico chamado vinil (normalmente feito de PVC), usualmente de cor preta, que registra informações de áudio, que podem ser reproduzidas através de um toca-discos.  

O disco de vinil surgiu no ano de 1948, tornando obsoletos os antigos discos de goma-laca de 78 rotações - RPM (rotações por minuto) -, que até então eram utilizados. 

Os discos de vinil são mais leves, maleáveis e resistentes a choques, quedas e manuseio (que deve ser feito sempre pelas bordas). 

Mas são melhores, principalmente, pela reprodução de um número maior de músicas - diferentemente dos discos antigos de 78 RPM - (ao invés de uma canção por face do disco), e, finalmente, pela sua excelência na qualidade sonora, além, é lógico, do atrativo de arte nas capas de fora.

A partir do final da década de 1980 e início da década de 1990, a invenção dos compact discs (CD) prometeu maior capacidade, durabilidade e clareza sonora, sem chiados, fazendo os discos de vinil ficarem obsoletos e desaparecerem quase por completo no fim do Século XX. 

No Brasil, o LP começou a perder espaço em 1992. Em 1993 foram vendidos no Brasil 21 milhões de CDs, 17 milhões de LPs e 7 milhões de fitas cassetes.

A partir de 1995, as vendas do LP declinaram acentuadamente em função da estabilização da moeda (consequência do Plano Real) e melhoria do poder aquisitivo da população, que permitiu a população adquirir mídias musicais mais modernas. 

As grandes gravadoras produziram LPs até 31 de dezembro de 1997, restando apenas uma gravadora independente em Belford Roxo, Vinilpress, que não resistiu e faliu no ano 2000, e assim, o bom e velho vinil saía das prateleiras do varejo fonográfico. 

A produção retornou em 1 de janeiro de 2010 com a abertura da gravadora Polysom para atender o mercado de DJs, colecionadores e audiófilos insatisfeitos com a qualidade sonora do CD. 

Muitos audiófilos ainda preferem o vinil por ser um meio de reprodução sonora bem mais fiel que o CD e o seu tempo de vida útil é bem maior que o do CD.


Vasculhando o Passado
 
O passado glorioso da maior mídia musical, que reinou absoluta entre 1948 e 1997, pode ser conferido na Discoteca Oneyda Alvarenga do Centro Cultural São Paulo, que comemora esse ano oitenta anos. 

Estão lá para serem escutados pelo público, de forma gratuita, 45 mil discos lançados em 78 rotações, 27 mil discos de vinil, 11 mil livros sobre música, 2,5 mil Cds, quase 5 mil periódicos e uma hemeroteca com 1500 assuntos indexados. 

Os discos de 78 rotações, que não passam pela mesma redescoberta que vivem os vinis, tiveram visibilidade até 1962, e os mais raros incluem os primeiros lançados por Elis Regina, pouco conhecidos. Um deles gravado por Elis, quando esta morava ainda em Porto Alegre. 


Vasculhando o Presente 


Atualmente não só bandas independentes, mas também artistas como Fernanda Takai, Pitty, Tulipa Ruiz, Nação Zumbi e Cachorro Grande lançaram LPs, como antigamente. Até porque eles têm seu encanto: qualidade no som, capas e encartes maiores que podem ser mais trabalhados.

Os discos produzidos fazem parte do renascimento da fábrica de vinis Polysom. 

Única na América Latina, ela faliu em 2007 e depois foi adquirida pela Deckdisc que tem feito investimentos e impulsionado a venda de discos de vinil. Após cerca de 20 anos fora do mercado os "bolachões" ganham cada vez mais espaço ao lado de CDs nas lojas e livrarias.  

E há também lojas online, especializadas na venda de vinis novos, usados e raros.

Algumas lojas vendem apenas online como o Armazém do Vinil que garimpa discos valiosos e a  Record Colletor que tem LPs nacionais, importados e raros para pronta entrega. Já a Discos Vinil  de Rio Claro, trabalha apenas com discos seminovos e entrega para todo país e exterior. A Viva Vinil tem LPs, CDs e também vitrolas e acessórios. A Extreme Noise Discos tem uma loja física no centro de São Paulo e um e-commerce. E para quem não tem mais um toca-discos a Catodi, tradicional loja da Santa Efigênia também vende seus produtos online.


Discoteca Oneyda Alvarenga
Centro Cultural São Paulo 
Rua Vergueiro, 1.000 – De Segunda a Sexta , das 10:00 ás 20 hs
Fone : (11) 3397-4002

Onde comprar Lps On-Line:  


Onde comprar toca-discos


Fontes desta matéria: 
Jornal  “O Estado de São Paulo “ – Caderno 2  
Site “ Catraca Livre “ 
Wikipédia 



Silvio Tadeu
Colunista de Arte e Cultura






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