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27 DE MARÇO - DIA DO CIRCO

As Alegrias e Tristezas de um Picadeiro


Era uma vez um palhaço
Que andava sempre chorando
Por causa da bailarina
Que namorava o trapezista
Nem de pierrô, nem de arlequim
Ela não via graça nele
E se trancava no camarim
Até o circo acordar
(Rita Lee)




Foi com essa emoção que visitei o Circo Moscou, instalado no estacionamento do Shopping Aricanduva, como fonte para nossa matéria comemorativa do “ Dia do Circo “, no dia 27 deste mês.

Fiquei surpreso, que em uma era onde a infância é marcada pela tecnologia e pelos shows mega produzidos, os circos tradicionais ainda sejam fonte de diversão garantida, pois em pleno tempo chuvoso de domingo, filas de crianças acompanhadas por seus pais, eram saudadas por simpáticos palhaços.

Fui recebido por Jorge Fumagari, que me concedeu uma emocionante e reveladora entrevista sobre o circo e a família que o mantém.

O senhor é o fundador do Circo Moscou?

Não. Na verdade o Circo Moscou vem do meu bisavô. Eu sou a quarta geração do circo. Minha família tem 160 anos de circo no Brasil. Tenho meus filhos, netos e bisnetos, todos nascidos no Circo.

Como o senhor vê a importância do circo em mundo tão tecnológico?

O nosso maior problema é a falta de apoio. Circo, todos já sabem.

É arte, é cultura, é uma arte milenar, mas não temos apoio dos nossos governantes. Há a dificuldade de conseguir uma área para montar o circo. Não conseguimos a Lei Rouanet, para conseguirmos o apoio de uma empresa. O circo que vem de fora consegue apoio do governo.

Os grandes circos multimídias têm apoio?

Com certeza. O que eles conseguem de mídia já é muito. É uma divulgação poderosa, e o Brasil todo VAI saber. È uma divulgação poderosa, e o Brasil todo vão saber. Todo mundo vai saber que o Circo Tihany vai estrear, pois está na televisão de cinco em cinco minutos. Por que eles têm um patrocinador. E nós do circo tradicional não tem esse apoio. Assim eles vão sumindo, desaparecendo, como o Circo Garcia, o Circo Orlando Orfei, e outros mais.

O senhor fala em Circo Tradicional, mas qual a diferença do Circo Multimídia como o Circo de Soleil, para o Circo Tradicional, como o seu?

A começar pelo ingresso. O ingresso para o Circo de Soleil é duzentos reais. Você vem aqui no Circo de Moscou, é vinte reais.

Os espetáculos deles se baseiam em maquiagem, iluminação, pirotecnia e efeitos.
Os nossos números são arriscados mesmos.

No tempo do meu pai os circos eram mudados em carros de boi (risos).

A sua profissão até agora, sempre foi o circo?

Sempre. Tenho 73 anos de carreira em circo.

Quais as funções que o senhor já desempenhou?

Os artistas de circo tradicionais, no meu tempo, tinham de fazer de tudo. Fiz malabarista, trapézio, palhaço por muitos anos. No circo você tem de fazer de tudo. Faltou o carreteiro, eu dirijo a carreta, meu filho dirige. O eletricista não veio, eu vou fazer a parte elétrica. A gente tem de aprender de tudo um pouquinho.
Minha vida sempre foi essa. Sempre dormi em trailer, se um dia for dormir em uma casa eu não durmo, tenho medo de que ela vai cair em cima de mim.

Defini para nós o que é um circo?

O circo na realidade é uma família. Tenho aqui comigo setenta funcionários. Moramos todos juntos no mesmo quintal. O circo tem o trapezista, tem o palhaço, o mágico, o malabarista. E vamos atualizando, melhorando, modernizando os números. Muitos grandes artistas hoje que estão na TV, tiveram suas origens no circo, como o Stenio Garcia e o Lima Duarte. Assim como muitos cantores, muitas duplas sertanejas. Como o Tonico e Tinoco, Vieira e Vieirinha, Xitãozinho e Xororó, começaram fazendo seus shows em circo.

O senhor é contra ou a favor dos animais em circo?

Eu sou a favor. Todos os meus animais eram registrados no IBAMA, todos documentados e bem tratados e eram verificados até pela Polícia Ambiental. Sou contra se o animal estiver sendo mau tratado. Não fechamos empresa de viação aérea quando um avião cai, não é verdade? Alguns animais do meu circo eu doei. Outros estão na chácara.

Como é a receptividade do público pelo circo?

As pessoas que vem ao circo, nos cumprimentam, dão os parabéns. Alguns afirmam que não iam ao circo há vinte anos, e ficam muito felizes quando vem aqui.

Como são as leis de incentivo para o circo?

Muito escassas. Uma lona de circo chega a custar cento e vinte mil, e muitas vezes, os órgãos oferecem quarenta mil de incentivo.

Ano passado fomos contemplados com o Prêmio Carequinha, e até hoje não nos passaram o dinheiro. Muitas vezes a verba é destinada para quem não tem circo, mas isso já está sendo investigado.

No dia do circo qual a mensagem que o senhor um patrono de circo, teria para passar aos profissionais de circo em todo o país?

Eu peço a eles, que não se esqueçam que somos uma só família. Temos de nos unirmos, e termos perseverança. Enquanto existir a paz, a união entre as famílias de circo, o circo não pode acabar.

Enquanto existir o sorriso no rosto de uma criança, o circo sempre existirá. Pois o circo é uma eterna criança. È a nossa profissão, é a nossa vida.

Visivelmente emocionado, Jorge Fumagari, posou para fotos, pediu licença e se dirigiu para o interior do circo, pois mais um espetáculo iria começar...



Serviço:
Circo de Moscou
Estacionamento do Shopping Aricanduva
Espetáculos ás 16h00min, 18h00min e 20h30min
Sábados e Domingos



Silvio Tadeu
Colunista de Arte e Cultura

26/03/2013


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