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Publicado em 13/09/2013

CINEMATECA

A MEMÓRIA VIVA DO CINEMA


“Não basta restaurar filmes. Não basta apresentar filmes, se eles não podem Testemunhar a favor de uma idéia dos rumos da história do cinema e da própria situação da cinemateca.“

Continuando o trabalho de reconhecimento dos principais pontos culturais da Vila Mariana, visitei nessa semana a famosa e internacionalmente reconhecida, Cinemateca Brasileira, localizada no Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino. O que no passado foi um lugar triste, um ex-matadouro, hoje abriga uma das mais importantes referências na preservação da memória do cinema no Brasil.

A Cinemateca Brasileira surgiu a partir da criação do Clube de Cinema de São Paulo, em 1940. Seus fundadores eram jovens estudantes do curso de Filosofia da USP, entre eles, Paulo Emilio Salles Gomes, Decio de Almeida Prado e Antonio Candido de Mello e Souza.

O Clube foi fechado pela polícia do Estado Novo. Após várias tentativas de se organizarem cineclubes, foi inaugurado, em 1946, o segundo Clube de Cinema de São Paulo. Seu acervo de filmes constituiu a Filmoteca do Museu de Arte Moderna (MAM), que viria a se tornar uma das primeiras instituições de arquivos de filmes a se filiar à FIAF - Fédération Internationale des Archives du Film (www.fiafnet.org), em 1948. Em 1984, a Cinemateca foi incorporada ao governo federal como um órgão do então Ministério de Educação e Cultura (MEC) e hoje está ligada à Secretaria do Audiovisual.

A mudança da sede para o espaço do antigo Matadouro Municipal, cedido pela Prefeitura da cidade, ocorreu a partir de 1992. Seus edifícios históricos, inaugurados no século XIX, foram tombados pelo Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo, e restaurados pela entidade.

O Centro de Documentação e Pesquisa da Cinemateca Brasileira é formado por quatro setores: Biblioteca Paulo Emilio Salles Gomes, os Arquivos Pessoais e Institucionais, o Laboratório Fotográfico e a área de Pesquisa. Seu acervo, constituído desde 1958, é formado por diferentes conjuntos documentais referentes à cultura cinematográfica, principalmente a nacional. Cada conjunto é processado de acordo com suas características, formando uma linha de informação específica.


SALA CINEMATECA



A primeira Sala Cinemateca foi inaugurada em 10 de março de 1989, no espaço onde funcionava o Cine Fiametta, na rua Fradique Coutinho, em Pinheiros. O filme em cartaz era A Paixão de Joana D’Arc, de Carl Dreyer. Durante oito anos, mais de 200 mil pessoas assistiram a retrospectivas variadas promovidas pela Sociedade Amigos da Cinemateca, muitas vezes formadas por obras inéditas.

A Sala Cinemateca/Petrobras foi inaugurada em 5 de novembro de 1997, construída em um dos Galpões do antigo Matadouro, sede oficial da instituição, com capacidade para 108 espectadores.

Conta com equipamentos para projeção fílmica nas bitolas 16mm e 35mm, do formato silencioso (1:1,33) ao cinemascope (1:2,35) passando pelos formatos academia (1:1,37) e panorâmicos (1:1,66 e 1:1,85) e todas as velocidades de projeção, com reprodução de som Dolby Digital e projetor eletrônico para exibições em vídeo e recursos multimídia. No final de 2005 passou por uma reforma e foi reaberta em março de 2006 com a qualidade de projeção e reprodução sonora dentro das normas técnicas internacionais.

A Sala Cinemateca/BNDES, com 210 lugares e 4 espaços para cadeirantes, foi inaugurada oficialmente em 12 de novembro de 2007, ocupando parte do Galpão III do antigo Matadouro. O filme exibido foi “Eles não usam black-tie”, de Leon Hirszman, cuja restauração foi coordenada tecnicamente pela Cinemateca Brasileira. Além de obedecer às leis de proteção do patrimônio histórico e arquitetônico, o projeto da nova sala se baseou na norma técnica NBR12237/NB1186: Projetos e instalações de salas de projeção cinematográfica, que determina parâmetros específicos para a qualidade da imagem, a qualidade do som e o conforto do espectador, tanto em relação à performance dos equipamentos como também da própria arquitetura da sala.
Nessa nova sala estamos aptos a projetar películas cinematográficas nas bitolas 35mm e 16mm, do formato silencioso – 1:1,33 – ao cinemascope (1:2,35) passando pelos formatos academia (1:1,37) e panorâmicos (1:1,66 e 1:1,85) – e todas as velocidades de projeção. A reprodução sonora pode ser do tipo analógica ou Dolby Digital. Para a projeção digital utilizamos um projetor de alta definição Barco 2K.

As duas salas oferecem características que possibilitam a exibição da grande variedade de material contida no acervo da Cinemateca Brasileira e de outras instituições preservadoras de memória audiovisual, nacionais e internacionais, assim como a exibição de filmes com produção atual em película e/ou mídias analógicas e digitais.


RESTAURAÇÃO


Desde 1978, a Cinemateca Brasileira possui um Laboratório de Restauração devidamente equipado que foi reconhecido pela FIAF como um exemplo para as cinematecas latino-americanas.

Entre as suas atividades permanentes está a restauração de filmes do acervo em estado avançado de deterioração, a transferência de materiais em suporte de nitrato de celulose para suporte de segurança (poliéster) e a confecção de cópias (matrizes ou reproduções para empréstimo).

O que diferencia o Laboratório de Restauração da Cinemateca Brasileira dos demais são equipamentos como o copiador óptico, capaz de processar filmes 35 mm com até 4% de encolhimento, a mesa de comparação com 4 pistas e a moviola-telecine para filmes 35 e 16 mm que, ao contrário de copiadores normais, faz projeção de filmes em estado de alta deterioração. É também um dos poucos que faz controle sensitométrico de cópias em 35 e 16 mm.

Projetos

Além de cuidar da recuperação de materiais do acervo da Cinemateca Brasileira, o Laboratório de Restauração também está envolvido em projetos externos, que são fruto de parcerias com produtores e pesquisadores.



PROGRAMAÇÃO




300 Anos de Cinema
07 a 22 de setembro





Apresentação

300 anos de cinema é a programação de setembro da Cinemateca Brasileira, que destaca as diferentes facetas de seu trabalho cultural e científico e que convida a uma reflexão sobre suas funções primordiais, o alcance de suas ações, sua abrangência local e nacional. Nesta conjuntura, um novo modelo de difusão é apresentado, composto de pedagogia e estímulo artístico. 300 anos de cinema é um acontecimento que reúne momentos da história da sétima arte para compor novas constelações cinematográficas: cinema antigo/moderno/clássico/de vanguarda/sonoro/falado/calado/mudo/gritado/vociferado/pulsante/vivo e em transformação constante na sua relação com as artes, com o teatro, o circo, a música e as artes plásticas. Da lanterna mágica ao cinema digital, do teatro à performance, do circo à vanguarda. Obras fundamentais da história do cinema, restauradas e preservadas pela Cinemateca Brasileira.

Inspirado no trabalho de Henri Langlois (1914-1977), esse conceito de difusão audiovisual procura fortalecer o debate sobre os novos caminhos da cultura cinematográfica. Não basta restaurar filmes.

Não basta apresentar filmes, se eles não podem testemunhar a favor de uma ideia dos rumos da história do cinema e da própria situação das cinematecas. Para que seja possível discutir sobre as recentes transformações do cinema, é preciso novas formas de história, novos enquadramentos que o revitalizem. Para isso, 300 anos de cinema articula filmes de épocas diferentes, espetáculos teatrais e circenses com conferências científicas, projetando no presente lições aprendidas em diferentes fases. O cinema em suas diversas fases. E a Primavera ainda está para chegar!


Atrações Principais

Elogio a Langlois

A mostra é uma homenagem a Henri Langlois (1914-1977), o notável fundador da Cinemateca Francesa, que revolucionou a história do cinema ao difundir filmes de diferentes períodos sem conexões evidentes. Personalidade marcada pelas batalhas que empreendeu em favor do patrimônio audiovisual mundial, Langlois é o emblema da luta pela legitimidade das cinematecas como instituições de cultura. Para recuperar o legado dessa figura vulcânica, a Cinemateca Brasileira exibe obras do próprio acervo, preservadas e restauradas ao longo dos últimos anos, reafirmando o lema de Langlois, para quem a missão fundamental de uma Cinemateca era “restaurar o filme na cabeça das pessoas”. Ao exibir obras-primas do cinema mundial em relação com momentos do cinema brasileiro restaurado, a mostra festeja o nonagésimo aniversário do mais convicto dos guardadores de filmes.

Cômicos e mais cômicos

Evocação da era de ouro do cinema cômico norte-americano, quando Mack Sennett, Ben Turpin, Harold Lloyd, Harry Langdon, Roscoe “Fatty” Arbuckle, Charles Chaplin e Buster Keaton desfrutavam de extrema liberdade criativa e, artistas múltiplos, praticavam a acrobacia, a dança, o circo, a mímica, a poesia. Com filmes do acervo da Fundação Armando Alvares Penteado, a seleção terá apresentação de Máximo Barro, que discorrerá sobre a evolução do gênero cômico no cinema.

Mais que um complemento

A modernização conservadora brasileira e a convulsão social cubana por meio das lentes das edições de cinejornais do acervo da Cinemateca Brasileira: Cine Jornal Brasileiro, Cine Jornal Informativo, Atualidades Atlântida, Notícias da Semana, Canal 100 e o excepcional Noticiero Icaic Latinoamericano. Séries estatais e privadas destacam imagens de homens públicos, acontecimentos que marcaram a história política e social, assim como as emoções do esporte e a propaganda de ações filantrópicas. Merece destaque o experimento radical dos Noticieros Icaic, cinejornal capitaneado pelo cineasta Santiago Alvarez em prol da Revolução.

A comunicação de massa e o experimento estético em sintonia com a transformação social permitiram o desenvolvimento da forma do cinejornal, gênero tão rebaixado quanto significativo da história do cinema.

O filme-poema

Segundo o restaurador e teórico Saulo Pereira de Mello, existe na história do cinema uma tradição que pode ser chamada de filme-poema – que não se confunde com o cinema de poesia – da qual faz parte Limite (1931). Essa tradição é representada por um conjunto de filmes que se destaca por novas propostas para a experiência da poesia cinematográfica.

Isolados em momentos diversos no fim da década de 1920, em contextos ainda mais diversos, esses filmes, vistos em conjunto, se iluminam de forma surpreendente. Como marca, essa tradição propõe o abandono da narrativa linear, em prol do rigor formal e da expressão da individualidade do cineasta-poeta, que reconstrói o mundo por meio de signos rigorosamente compostos, que compõem versos com imagens, abrindo mão da lógica tradicional estabelecida pela narrativa. Para homenagear Saulo Pereira e seu trabalho de guardião de Limite, a mostra traz grandes clássicos do cinema mundial, como Terra (1930), de Dovjenko, e A paixão de Joana D’Arc (1928), de Theodor Dreyer. Ao recuperar o filme de Mário Peixoto, Saulo penetrou como ninguém nos mistérios de Limite e seus ensaios constituem o que há de mais significativo sobre o filme emblema brasileiro. A homenagem se completa com o lançamento da edição em DVD de Limite, incluído no segundo número da Revista da Cinemateca Brasileira.

Atrações cênicas

Revista teatral que articula lanterna mágica, personagens do cinema, elementos do imaginário popular, em atmosfera de horror e mistério. Com dramaturgia e direção cênica de Felipe de Moraes e a participação dos atores Aline Olmos, Ederson Miranda, Fernanda Januzelli, Fabio Saltini, Jeferson Bazilista e Raiane Steichmann, e com a apresentação de uma seleção de imagens para a lanterna mágica concebida por Luisa Malzoni e Ubirajara Zambotto.

O advento do cinema na França e nos Estados Unidos, 1905-1914 – Curso do Professor Richard Abel

Para acompanhar os primórdios da história da indústria cinematográfica em contextos nacionais diferentes, a mostra traz títulos raros do chamado primeiro cinema. Filmes que definiram os caminhos do cinema e ajudaram a formar gêneros que se consagrariam no cinema narrativo. Para discutir as culturas, as economias e as sociedades que esses filmes representam, a Cinemateca Brasileira convidou o historiador Richard Abel, professor da Universidade de Michigan. Autor de livros indispensáveis ao estudioso do cinema antigo, como The Red Rooster Scare (Berkeley, 1999), Abel renova os estudos de cinema ao relacionar a história cultural com a história do cinema, descrevendo um contexto amplo através de fontes praticamente intactas. A Cinemateca Brasileira publica o livro Americanizando o filme – ensaios de história social e cultural do cinema, que reúne ensaios de Richard Abel.

Grafitti cinematográficos

O grafiteiro Presto cria um grande mural inspirado na história do cinema. Intuitivo e com estilo singular, o artista mescla cores e formas, com gêneros e fisionomias da sétima arte. De forma mais reflexiva, em abordagem erudita, Leon Kossovitch, em Nox São Paulo Grafitti, recupera as origens do graffiti para realizar um ensaio teórico sobre a escrita e a gravura, ao lado de Carlos Matuck, Waldemar Zaidler e Kenji Ota, que colheram imagens dessa manifestação numa soturna São Paulo. E mais: Maureen Bisilliat e Lúcio Kodato revisitam o Turista Aprendiz em Decantando as Águas, um diálogo cine-foto-gráfico.





Serviço:
Cinemateca Brasileirta: Largo Senador Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino – Fones : ( 11 ) 3512-6111 contato@cinemateca.org.br



Silvio Tadeu
Colunista de Arte e Cultura





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