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CARNAVAL

ORIGENS E PERSONAGENS


Falamos no Carnaval, lembramos do Brasil , com suas escolas de samba, trio elétricos e um país que exporta alegria, cores, luxo e samba.

Mas qual a origem da nossa mais famosa festa popular?

Para tirar essa e muitas outras dúvidas, sobre essa festa e seus personagens, trouxemos uma entrevista com Will Saint Clair, estudioso da cultura popular.

1) Para você um estudioso dos personagens cômicos, qual a origem do carnaval ?

O carnaval vem das saturnais romanas (festa realizada em consagração ao Deus Saturno), mas foi na Idade Média que esse rito teve mais ímpeto.

Na Idade Média celebravam a “festa do tolos” e a “ festa do asno” e o “riso pascal”.

Os bufões e cômicos assistiam aos ritos cotidianos e civis e parodiavam os atos vistos (como a proclamação dos nomes dos vencedores dos torneios, cerimonias de entrega do direito de vassalagem, iniciação dos novos cavaleiros.)

E também as eleições de rainhas e reis “para rir” para o período da festividade.

Outra curiosidade é o mascaramento, a máscara servia de uma forma pra não revelar a identidade pessoal de cada pessoa e proporcionar uma igualdade perante a festa e claro o flerte.

Mas vamos pensar! ...uma fase em que as pessoas eram perseguidas e queimadas em praça pública se fossem vistas como hereges e o único dia pra extravasar era no carnaval. Ou seja, elas jogavam realmente tudo pra fora no único dia do ano que eram permitidos!

Essa é a estrutura de um cidadão da idade média e que desemboca no rito carnavalesco.

Na verdade a gente vê essas festas com abadá “Claudia Leite” e “Ivete”...”, enfim..., mas a origem do carnaval é muito mais além... era de fato uma troca de papéis.

Em monastérios, por exemplo, na Europa ocorriam orgias como o mais do subalterno ia pra o mais alto nível.

Desse âmbito veio a commedia dell’arte e o seu mais popular representante o Hellequim (Arlequim) era o chefe demoníaco dos cortejos que saiam nos carnavais. Mas devido o passar do tempo da sua matriz demoníaca ficou somente os traços da máscara até chegar até nós a estilizada e elegante personagem divertida e engenhosa como conhecemos.


2) Qual a relação dos personagens cômicos , com alguns personagens carnavalescos?

Em relação aos personagens da Commedia dell’arte e o carnaval acho que seríamos categóricos nas opiniões.

O Arlequino por exemplo, é a personagem mais representada no carnaval e que tem ligação com a Commedia dell’arte.

Mas temos a influencia francesa aí. A Commedia dell’arte foi pra França num determinado tempo e de lá surgiram figuras como o Pierrô (descendente de um servo, mais preciso o segundo Zanni. Chamado Pedrolino).


Igual é a Colombina que se apresenta nos Canovaccio (roteiro de ações) como serva, filha do Pantalone, mas intrigante cúmplice ou envolvida em primeira pessoa em uma historia amorossa, sabe habilmente desviar-se das encrencas, assim como também protege sua patroa, á qual permanece sempre inquestionavelmente fiel.

3) Qual o papel da máscara , no carnaval e na comédia?

Bom...na questão social , vejo eu, que o papel da máscara era de fato propiciar a falta de identidade das pessoas num cortejo, baile ou cortejo.

Entretanto no caso de teatro tem outras questões como:

A máscara acentua e esquematiza os traços do rosto.

Uma das singularidades mais notórias da commedia Dell arte é igualmente o recurso da representação mascarada. Mas é bom frisar, há personagens que não utilizam, especialmente aqueles cuja razão de ser é a sedução, os galãs ou innamorati.

Na verdade, quase sempre a máscara. Neste teatro, é uma meia-máscara que deixa descobertas a boa e a parte de baixo do rosto.

Estas funções parecem ter sido múltiplas, sem que nenhuma tenha predominado:

• Função de identificação: a máscara torna o personagem imediatamente reconhecível para o público que esteja um pouco familiarizado com o universo da commedia dell’arte. Daí um ganho de tempo precioso numa dramaturgia que se apoia primordialmente no ritmo da representação.

• Função de imutabilidade: a máscara preserva o personagem das transformações que intérpretes diferentes (em físico, idade, estilo etc...) introduzem infalivelmente. Graças a máscaras, ele aparece sempre igual a ele mesmo e como que dotado da imortalidade das figuras mitológicas. O que reforça ainda mais o laço de familiaridade que segura sua popularidade.

• Função de estilização: a máscara desloca as técnicas da representação no sentido de uma maior valorização do virtuosismo corporal. Ora, como vimos, é graças à acrobacia, à dança e aos lazzi que o ator dell’arte alcança seus maiores triunfos.


Compreende-se desde então, que a máscara tenha se tornado um acessório obrigatório deste teatro e que, as figuras mascaradas tenham quase sempre conquistado maior destaque.

As máscaras utilizadas pela commedia dell’arte são inexpressivas.

Foram concebidas para adotar todas as expressões possíveis, ficando o ator encarregado de dominar a arte da representação “com máscara”. Uma inclinação apropriada da cabeça, uma coordenação sutil do corpo e dos gestos, faz com que a máscara, estranhamente, pareça transmitir a expressão desejada, cólera ou gula, terror ou concupiscência! Eis a dificuldade: a menor aproximação, a menor defasagem, ameaça falsear a representação e tornar a máscara inoperante.

Por outro lado, se ela valoriza o virtuosismo corporal e gestual, é evidentemente para assumir uma diversidade expressiva de que o rosto não pode se encarregar. De fato, da experiência da representação “com máscara” se tirou logo este conselho: se teu corpo não exprime nada, tua máscara fica muda. E, por extensão: quanto mais teu corpo fala, tua máscara é expressiva.


4) Por que o carnaval une fantasias de tantos personagens diferentes ?

Penso que a pergunta não se restrinja ao carnaval, mas especificamente ao carnaval que conhecemos, ou seja, no Brasil.

O fato é de que o Brasil é um país com muito sincretismo cultural.

Outro dia, por exemplo, vi num bloco no centro de São Paulo um Pierrô, um Arlequino e olha que interessante, tinha uma pirata junto e uma caipira.

Ou seja, o brasil é um pais de sincretismo não só de pele, mas a pele não esqueçamos disso tem memória e a memória tem estória que nos leva a toda uma cultura e tradição também que influencia nas roupas e nos ritos e festividades.

Fotos: Abertura do Carnaval , Banda do Candinho, evento patrocinado pelo Centro Cultural Banco do Brasil , com os Foliões do Fagulhas D´Arte.



Silvio Tadeu
Colunista de Arte e Cultura

08/02/2013


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