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Publicado em 13/08/2013


BETY LIMA


“Era uma vez...” quem nunca ouviu, leu ou assistiu uma estória infantil? Adultos ou crianças se encantam com a fantasia, o sonho e as mensagens que os contos infantis provocam. Mas como fica hoje essa tradição, no nosso mundo cada vez mais tecnológico, onde a internet se tornou a principal atração entre as crianças?

Para falar disso e de muitos assuntos, o Portal Vila Mariana traz a atriz, contadora de estórias, Bety Lima, que apresenta também um programa infantil pela internet.

1) Hoje existe uma tendência das crianças e jovens de uma forma geral, estarem mais ligadas aos jogos eletrônicos e a internet, do que ao universo lúdico. Seu programa parece unir os dois mundos.
Como foi que surgiu a idéia de um web programa que aproximasse o lúdico das crianças usando a internet?

Eu tenho comigo, a idéia de que a história é o meio mais fácil de ensinar valores para as crianças, não só os positivos, mas também os negativos, exemplos a serem seguidos ou não.

Quando conheci a Amaral TV encontrei a oportunidade de fazer as duas coisas. E graças a Deus está dando certo. Temos de conviver com o progresso eletrônico, não sei se podemos chamar de progresso, parece um “processo“ que isola as pessoas uma das outras, apesar de conectadas, porém cada uma no seu “habitat” natural, falta o contato, a alegria a amizade. Eu tento tirar algum proveito, fazendo a junção com o lúdico.

2 ) Quando e como surgiu a atriz?

Comecei com cinco anos fazendo teatro na igreja. Com sete recitava poesias nas festas da Escola Luterana, meu pai era pastor e levava os instrumentos musicais da igreja para casa, para limpar, afinar. Eu adorava “fuçar” em todos. Assim criei gosto pela música e pelos instrumentos musicais. Tive aula de música no ensino fundamental. Mas tocar violão mesmo só aprendi com 21 anos. Depois veio o teclado e o teatro sempre fez parte. Juntei tudo o que sabia e comecei a trabalhar com as crianças do condomínio onde morava, além do meu trabalho voluntário no grupo de escoteiro. Depois do meu divórcio, fui estudar turismo, por falta de compatibilidade com o inglês, optei em me especializar na área de recreação e lazer, onde somei a área cultural que sempre foi o meu forte. Nessa época formei um grupo de teatro vocacional da prefeitura, foram dois anos apresentando “A Farsa do Boi“ nos teatros da prefeitura, sem cachê.

Em 2.010 foi que realmente passei a trabalhar nessa área em troca de remuneração.Desde então já são mais de trezentas apresentações de teatro, principalmente sobre fábulas como “Chapeuzinho Vermelho” , “Os Três Porquinhos”, “João e Maria“ , “A Galinha dos Ovos de Ouro“, entre outras. Duas temporadas do “Mágico de Oz“, interpretando a “Tia Emm” e a “Bruxa Má do Oeste“. Umas duzentas contações de histórias, tudo em 02 anos e meio. Há um ano abri minha micro empresa de animação de festas, www.trilhadaalegria.com, teatro e contação de histórias, recreação, palhaço, pintura artística, bola mania e vivência lúdica musical. Além da empresa presto serviços para um atelier de dança do ventre, tenho o programa de web tv, toda sexta-feira, 19 horas, ao vivo, www.amaraltv.com.br, sempre que possível levo um amigo contador de histórias, e as portas estão abertas a quem quiser se apresentar. Estou lançando meu primeiro DVD de contação de histórias, “È Hora da História” volume 01, está lindo demais.

3) Qual o papel hoje de uma contadora de histórias?

Na minha opinião é a mesma de sempre, aplicar os valores de uma forma sutil, sem que a criança perceba que está sendo conduzida a isso, utilizando-se de todos os recursos lúdicos. Eu posso contar uma história com muitos recursos, como fantoches, objetos de cena, etc, ou posso fazer um passeio imaginário sem ter nada nas mãos, somente com minha voz, jogo de corpo e expressões.

4) Como o público reage às histórias?

As reações são as mais diversar. Uma criança cujos pais se preocupam com o lúdico e é levada á biblioteca e apresentações variadas desde cedo, reage diferente daquela que não tem esse hábito. Por isso o livro é tão importante, disserto cada pedacinho junto com a criança.

Cada passagem da estória, que tem algum incentivo negativo eu pergunto pras crianças: pode desobedecer a mamãe? Pode mentir para o amiguinho? Pode maltratar os animais? È o que citei acima sobre os valores negativos, ensinar a não fazer o errado.

5) Você acha que ainda há espaço para o lúdico no universo tecnológico?

Com certeza. Enquanto houver livros nas prateleiras das livrarias e freqüentadores nas bibliotecas haverá espaço para o lúdico, pais conscientes, isso é muito importante.

6) Para ser uma contadora de histórias é preciso ser atriz ou ator?

Todo contador ou contadora de histórias é ator ou atriz, mas nem todo ator ou atriz é contador de histórias. Primeiro precisa gostar. Nem todo ator gosta. Segundo é preciso colocar em prática uma das teorias do teatro: O bom ator é o que sabe levar o público á catarse.

O contador de histórias é de uma sensação indescretíel. Quando você olha para as crianças, elas estão boquiabertas, esperando o desfecho da história. Por isso sempre três coisas são muito importantes: o “era uma vez“ , o “elemento surpresa”, o que vai provocar a catarse, e o “desfecho”, que é o que vai provocar a catarse, exemplo: “E foram felizes para sempre".

A única contadora de histórias que pode mudar tudo e continuar no ápice das atenções é a bruxa. Ela faz o que quer e na história dela ninguém é feliz para sempre. Ela pode dar risadas dos infortúnios e etc. Eu gosto muito de mudar minhas roupas de acordo com as histórias. Faz muita diferença. As músicas também devem fazer parte. Nem sempre um ator ou atriz sabe tocar um instrumento ou sabe cantar. Quanto mais elementos puderem ser reunidos, mais rica a história vai ficar, e conseqüentemente, mais vai segurar o público.

7) Você faz muito trabalho de contação de histórias em Shopping Centers. O mundo consumista também se rende ao lúdico?

Sim, com certeza. É claro que nem todos que vão ao Shopping querem ouvir histórias, mas tem muitos que vão só para isso. Fiz dois meses de contação no começo do ano passado, no Shopping Santa Cruz, sábado e domingo, história e origami.

Foram dezesseis histórias e dezesseis origamis diferentes. Houve crianças que não perderam uma só história. Uma menininha de cinco anos, não podia ir ao Shopping num determinado sábado, por algum problema familiar. No domingo o pai me disse que ela chorou muito por que perdeu a história e o origami. Depois da história daquele dia eu a chamei de lado e contei a história do sábado e ensinei o origami. Ela ficou muito feliz e os pais vieram me agradecer. Já contei histórias para crianças especiais da audição e da visão. Então o mundo consumista para mim não é problema.

8) Qual a faixa etária dos espectadores de uma contação de histórias?

Vai depender do local onde estou, nas livrarias de shopping, geralmente vai de dois a nove anos, ma SOS pais em geral participam muito, tiram fotos, ficam sentados no chão junto com a a criança. É bem variável. Tem senhoras que vão ao Shopping só para ouvir minhas histórias. Tem um casal de especiais da visão e físico que me acompanham a minha agenda. Nas escolas o público vai mais na faixa de 02 a 06 anos.

9) Qual a faixa etária dos espectadores do seu web programa?

A idéia era fazer o programa para os pequenos, mas tenho ouvintes de todas as idades. Recebo muitos elogios, mensagens. Tem uma senhora que é vizinha do estúdio e está lá todas as sexta feiras, e assisti ao vivo. Até os homens que são mais difíceis de se renderem. Às vezes recebo mensagem de alguns que assistem meu programa.

10) Quais os principais desafios de popularizar as estórias infantis?

Com certeza, a educação familiar, tudo o que uma pessoa vai ser na vida, o comportamento na escola, com os amigos, com a sociedade, consigo mesmo, com a sua religião, vai depender da educação que ela vai receber no berço. Os adultos tem de entender que a criança tem que passar por todas as fases cada coisa no eu tempo, respeitando o próximo, aprendendo a repartir, a conviver com as pessoas a sua volta. A educação cultural começa em casa.

Popularizar as estórias infantis só é possível na educação. E uma boa educação tem que ser feita baseada em livros. Incentivar a leitura é uma forma de educar. E como diz a famosa frase : “O homem que lê vale mais“.






Silvio Tadeu
Colunista de Arte e Cultura





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